Faz alguns anos desde que os leitores de e-book Kindle deram um grande salto à frente. Em 2012, o primeiro Paperwhite causou o último grande impacto. Mas agora a Amazon tem um e-reader novo, bonito e premium para você ler seus livros e afins – este é o Kindle Voyage.

A primeira coisa a notar sobre o Kindle Voyage é o design. Ao contrário de todos os Kindles anteriores, o Voyage tem uma tela de vidro, que é microgravada para ajudar a difundir a luz. E isso funciona: em nosso teste rápido com o dispositivo, não vimos mais reflexo do que você encontraria em um Paperwhite.



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A tela não se inclina mais nas laterais: trata-se de uma chapa plana de vidro, assim como em um tablet comum. A traseira quase parece a de um Kindle Fire HDX, com o botão off em forma de círculo.

Você notará que o painel frontal do Kindle agora tem um par de linhas e pontos. As linhas fazem parte do que a Amazon chama de PagePress: para virar a página, você pode simplesmente apertar as bordas, em vez de esticar o polegar para tocar na tela. O PagePress oferece feedback tátil quando a página vira. É uma vibração muito sutil, agradável e nada perturbadora. Se quiser, você também pode desativar este recurso, e até mesmo alterar a quantidade de pressão necessária para virar as páginas de seus livros.

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Os pontos acima do PagePress são sensores de luz ambiente para a luz dianteira adaptativa do Voyage. Você ainda pode definir o brilho como quiser, é claro, mas o Voyage vem com a opção de ajustar isso automaticamente.

Nesse caso, o Voyage não só ajusta a intensidade da luz frontal com base na iluminação de onde você está, mas também a reduz lentamente ao longo de uma longa sessão de leitura em um lugar mais escuro. A Amazon diz que isso se ajusta à a forma com que seus olhos agem na escuridão.

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E essa tela! Com enormes (e talvez exagerados) 300 DPI, a tela do Voyage supera de longe não apenas a tela do Kindle Paperwhite (212 DPI), mas também o recordista anterior, as telas de 265 DPI que vivem na linha Kobo Aura. É como olhar para papel, sem ressalvas. Mas considerando que estamos apenas olhando para texto sobre um fundo branco, nos perguntamos se a densidade de pixels precisa realmente ser tão alta.

Só que o objetivo do Voyage é claramente ser melhor em todo aspecto. Ele é elegante, mais fino e mais leve que o Paperwhite (por alguns milímetros e gramas). Ele é leve, mas ainda dá uma sensação incrivelmente firme e durável, mesmo com a tela de vidro. Sua tela de 6 polegadas ainda é perfeita para uso com uma só mão, especialmente para virar a página tocando nas bordas.

Este gadget é lindo, um prazer de segurar, mas você pagará por todo esse luxo – ele custa a partir de US$ 199. Os preços aumentam se você escolher um modelo com 3G, ou se preferir um Kindle sem anúncios na tela de descanso. (Todos possuem Wi-Fi para sincronizar sua biblioteca de livros). O Kindle Voyage está em pré-venda, e será lançado nos EUA em 21 de outubro.

DivulgaçãoDa esquerda para a direita: novo Kindle, Kindle Paperwhite, Kindle Voyage

Para pessoas que não querem gastar tanto em um Kindle, ainda existem outras opções. O Kindle Paperwhite custará a partir de US$ 119 nos EUA, praticamente intocado desde 2013, mas agora com o dobro de armazenamento (que já era bastante). Também há modelos mais caros com 3G ou sem anúncios.

O Kindle mais simples, por sua vez, também recebeu uma atualização. O Kindle anterior custava US$ 69 e não tinha touchscreen: ele possui botões para virar a página, e um pequeno D-Pad na parte inferior para navegar pelos menus. O novo Kindle substitui tudo isso por uma tela sensível ao toque, ainda sem iluminação frontal, e a um preço maior – a partir de US$ 79 (sem versões 3G).

A Amazon diz que esta nova opção também inclui um processador 20% mais rápido e o dobro de armazenamento, além de seus poderes de toque. Sinto muito, amantes de botão, mas virar as páginas sem tocar na tela se tornou um recurso premium. O Kindle simples está em pré-venda e será lançado em 2 de outubro.

Ao todo, a nova família de e-readers Kindle possui três membros fortes, com o Kindle de US$ 79 na retaguarda, o Kindle Paperwhite de US$ 119 no meio-termo, e o Kindle Voyage chegando a quase US$ 200.

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Outras fabricantes de e-readers, como o Kobo, já chegaram a preços acima de US$ 150, mas compreensivelmente com sucesso limitado. (O Kindle original custava US$ 400, mas isso foi em 2007.) Só que a Amazon tem um domínio bastante eficaz sobre o mercado de e-books em vários países, e pode encontrar um mercado maior para seu leitor premium.

No Brasil, a Amazon continua vendendo a linha antiga de Kindles sem mudança de preço. No ano passado, a empresa anunciou novos Kindles em setembro e os lançou no Brasil em dezembro – ou seja, talvez tenhamos que esperar um pouco.