Há um ano, quando a Samsung anunciou o Galaxy Note, a gente se perguntou o que a empresa queria com aquele aparelho gigante, que ia além do smartphone mas não era tablet. Este ano, o rumo da Samsung parece um pouco mais claro: o Galaxy Note está ficando mais humano.

Sim, ele ainda é gigante: são 5,5 polegadas, maior que o antecessor, com uma tela Super AMOLED impressionante — bem parecida (é claro) à tela presente no Galaxy S III.

Ele é enorme, só que agora você pode usá-lo com uma só mão. No Note original, isso era quase impossível: o aparelho era muito largo. Isso mudou no Note II, graças a proporção 16:9 da tela. As bordas mais finas também ajudam. E como a tela fica mais alta que a borda lateral, seu dedo desliza sem esforço mesmo onde a tela acaba, tornando o movimento mais natural. Além disso, ele parece se encaixar melhor na mão, pegando emprestado o formato do Galaxy S III, com traseira mais curva (não plana, como no primeiro Note).

E você pode usá-lo de fato com uma só mão. A Samsung criou algumas adaptações no software para você nao ter que usar duas mãos para operar o Note. Por exemplo, você pode usar um teclado “espremido”, mas ainda utilizável, deslocado para a direita: assim, meu polegar alcançou todas as teclas, e eu pude digitar usando apenas alguns dedos.

O Jelly Bean roda liso no Note II: em meu hands-on em dois aparelhos diferentes, não vi engasgos na interface. E o Note II exibe seu desempenho de varias formas: por exemplo, voce pode rodar um vídeo em uma janela pequena, enquanto navega pela interface. E a câmera tira fotos sem lag: pressione o botao de captura, e o app já fica imediatamente pronto para tirar outra foto.

O Android foi personalizado como no Galaxy S III: por exemplo, a tela de trava continua imitando uma superfície de água. Os ícones e a interface permanecem quase iguais, com a adição dos apps para a S Pen.

A caneta esperta

E no Galaxy Note II, a nova S Pen também parece “designed for humans”. No Note original, a canetinha cilíndrica não ficava muito confortável na mão, e havia um botão que era facilmente acionado por acidente — e isso era um problema bem chato, já que este botãozinho interrompia a escrita na tela. Além disso, se voce colocasse a palma da mão na tela ao escrever, o Note nem sempre reagia bem.

Parece que o Note II resolveu esses problemas. A caneta agora tem formato plano, mais firme de segurar, e em meu uso em nenhum momento ativei o tal botão por acidente, mesmo escrevendo rápido. O Note II tem melhor rejeição à palma da mão — a caneta continua escrevendo sem problemas, como se a tela soubesse o que realmente importa — e você pode até desativar o toque do dedo na tela (no app S Note) para escrever exclusivamente com a stylus. É, ela voltou de vez.

A S Pen tem seus truques. Ao tirar a caneta do aparelho, ele espertamente supõe que você vai usá-la e abre uma lista de apps úteis. Se você está no meio de uma ligação e quer anotar algo, basta tirar a caneta e surge o S Note — são detalhes pequenos, mas que no uso cotidiano podem ser muito, mas muito úteis. E o reconhecimento de escrita parece muito bom, entendendo meus garranchos sem muita dificuldade, e mesmo configurado para outro idioma. Curti. Claro, ela continua com os truques do Note original, como tirar screenshot, fazer anotações em imagens etc. Ela só ficou mais esperta.

Em outros pontos, a S Pen poderia ter estudado mais. A caneta agora entende alguns gestos: por exemplo, deslize para cima e ela abre uma área para voce digitar comandos. Voce pode enviar e-mails escrevendo @NOME DA PESSOA com a caneta — mas ainda parece mais pratico abrir o Gmail e comecar a escrever. Você também pode escrever anotações atrás de fotos: isto poderia ser uma ideia ate interessante, mas o lag entre abrir o app e escrever a nota — e depois em acessar o resulto — me deixou um pouco desapontado.

Enquanto isso, outros truques me pareceram simpesmente inúteis. Segurando o botão da S Pen, e desenhando uma linha fechada, voce pode capturar uma parte da tela. Por que eu iria querer guardar — ou compartilhar — um pedacinho da tela? Outro truque: se você passa a S Pen nas pastas da galeria, sem tocá-las, ele mostra uma prévia das fotos e vídeos — mas parece mais fácil e lógico apenas… abrir a pasta, não?

A canetinha ficou um pouco mais útil nesta iteração do Galaxy Note. Mas em nosso hands-on, deu para notar que o novo aparelho repete a receita do antecessor: ele não depende apenas da canetinha para se diferenciar. E dessa vez, sem ela, ele ficou realmente interessante: um aparelho rapido, com tela impressionante, e que, apesar de enorme, está aprendendo muito bem a ficar mais humano.