Acabei de passar alguns minutos mexendo no Samsung Galaxy Tab e fico feliz em confirmar para o público que finalmente temos um concorrente interessante para o iPad, mas que talvez não concorra exatamente com o tablet da Apple. Como?

Estamos na IFA, em Berlim. A feira propriamente dita só começa amanhã, mas o Samsung Galaxy Tab (sobre o qual falamos algumas vezes já) ganhou enorme atenção e tranquilamente dá pra dizer que é o grande lançamento até agora. Como você já viu por aqui, o Tab tem 7 polegadas, roda Android 2.2 e é, bem, um celular com Android Gigante. Sim, celular, já que ele tem 3G e um botão de discar (e você achando quem falava com o nGage ridículo). Mas como ele é na mão mesmo? Fiz este vídeo (sim, não dá para ouvir o som direito, mas é legal ver como o sistema se comporta):

Por que ele é legal: é pequeno, cabe no bolso de um paletó, é relativamente leve (mas bem denso, com 380g, contra 670g do iPad) e tem uma tela bacana, que se não tem o ultracontraste dos AMOLEDs da Samsung, tem um bom brilho e cores. O 3G, multitarefa bem implementada de fábrica (que o iPad não tem), entradas SD e microSD (além do conector padrão), um dock com saída HDMI e uma câmera fazem com que ele converse melhor com outros gadgets da sua casa. 

O processador de 1GHz dá conta do Android 2.2 tranquilamente, e ele é um bocadinho mais rápido que os smartphones com o robozinho, ao que parece, mas tenho que admitir que alguns sites demoraram substancialmente mais para carregar do que no iPad. Falo dos que têm Flash (como o próprio Gizmodo BR), então isso pode ser relevado por quem gosta (me incomodou).

Onde ele não é "melhor" que o iPad: O problema maior até agora é que o iOS 4 parece muito mais afeito ao tablet do que o Android. Já há uns bons 15 mil aplicativos na iTunes App Store pensados (ou redimensionados) especialmente para a tela grande. No tablet da Samsung, apenas a ótima agenda de contatos (infinitamente superior à da Apple, pela integração com Google e Twitter), um eReader e o calendário parecem ter sido feitos com uma tela um pouco maior em mente. De resto, não vi ainda aplicativos que mostrassem o poder de um tablet de fato, como vários jogos ou ferramentas de desenho no lançamento do iPad. Mas talvez seja muito cedo. 

O outro problema é a tela, que eu não achei tão responsiva quanto a do iPad, precisando de algumas confirmações de cliques. Aparentemente só eu e o pessoal do Engadget sentimos esse problema. Nas outras resenhas que li (inclusive da nossa Kat do Giz US), nenhuma reclamação. A bateria também, estimada em 7 horas, é pelo menos 30% pior que o iPad. O aplicativo para abrir livros digitais não é tão adaptado à tela grande, ao que me pareceu, e não há coisas interessantes que existem no iBooks, como clicar para ver a definição do dicionário ou selecionar partes do texto para anotações.

É claro que todas essas são opiniões razoavelmente superficiais, observadas em pouquíssimo tempo sobre um produto que sequer chegou ao mercado: estará em setembro em alguns países da Europa, onde não há previsão de preço nem chegada ao Brasil. Mas estamos bastante ansiosos para passar mais tempo com ele. Ele é de fato um animal diferente do iPad, ainda mais longe de um substituto de netbook (que eu já acho não ser a função do iPad) e mais voltado para o consumo de mídia, como ver fotos, ler livros e jogar alguma coisa. Se ele chegar a uns 150 dólares mais barato que o iPad mais barato, é matador. Pelo mesmo preço ou algo muito parecido, não vejo muita chance para ele. O que vocês acham?

 
 
 
* O Gizmodo Brasil viajou a Berlim para cobrir a IFA a convite da Philips.