Um gesto aparentemente bem-intencionado de publicar imagens totalmente pretas durante o Blackout Tuesday (terça-feira do blackout) na esteira dos protestos pelo fim da violência policial contra a população negra acabou prejudicando o movimento. Essas publicações acabaram ocultando informações relacionadas ao movimento Black Lives Matter e a hashtags associadas.

O Blackout Tuesday foi criado para chamar a atenção para o racismo sistêmico e a brutalidade policial que resultou nas mortes sem sentido de pessoas como George Floyd, Breonna Taylor, Ahmaud Arbery e inúmeras outras. Essas mortes iniciaram protestos em todo o território dos Estados Unidos e no mundo inteiro.

Jamila Thomas da Atlantic Records e Brianna Agyemang da Platoon começaram a levantar a hashtag #TheShowMustBePaused – uma iniciativa para chamar a atenção para essas mortes e encorajar um dia para “refletir sobre o duradouro racismo e a desigualdade que existem das salas de reuniões até as ruas” como parte de um esforço maior de longo prazo, como apontam em seu site.

Várias pessoas tomaram conhecimento da iniciativa de Thomas e Agyemang e encorajaram que outras pessoas publicassem quadrados pretos nas redes sociais, especialmente no Instagram, para mostrar apoio à iniciativa.

Mas os críticos rapidamente apontaram que, assim que a Blackout Tuesday começou, os feeds das hashtags #BlackLivesMatter e #BLM foram inundados com incontáveis quadradinhos pretos. Essas hashtags servem como fonte de informações vitais para ativistas que estão nas ruas.

 Tradução: Então, aparentemente se você vai na tag #BlackLivesMatter no Instagram, ela está cheia de fotos pretas devido ao movimento blackout. O pessoal não vê o problema? Estou perdendo algo? É assim que a tag #BlackLivesMatter está no Instagram agora. Onde antes havia diversas atualizações de campo e fontes para os nossos colegas.

Dada a importância das redes sociais nos esforços de ativistas para a organização de protestos, é importante estar ciente de que até mesmo iniciativas com boas intenções podem perturbar um ecossistema frágil – especialmente quando existem outras maneiras de contribuir.

Em vez de compartilhar publicações que não exigem muitos esforços nas redes sociais – como muitas marcas fizeram em uma aparente mostra de solidariedade que não apenas parece vazia, mas oportunista – considere outras alternativas como fazer doações para a CUFA (Central Única das Favelas), Fundo Baobá, Uneafro, Instituto Marielle Franco e outras organizações.