Fazia frio em São Paulo e para mim estava muito bom. Isso porque passei as últimas semanas testando o novo fone de ouvido da Sony WH-XB900N. Então além de esquentar as minhas orelhas, ele tem como proposta aliar o cancelamento de ruído e a valorização do bass (as famosas batidas) nas músicas.

O headphone começou a ser vendido na semana passada com preço sugerido de R$ 1.300. Abaixo vai um resumo de como foi usá-lo. Já aviso que é um baita headphone, mas provavelmente não deve ser o primeiro fone de ouvido com cancelamento de ruído para quem nunca teve um do tipo.

E aí?

O Sony WH-XB900N tem uma estrutura simples. Ele é feito de plástico e não tem muita frescura. Junto com o acessório, vem uma bolsa para carregá-lo, um cabo com uma ponta USB-A e outra USB-C e um outro cabo P2-P2 de 1,2 metro para conectá-lo a um smartphone ou um computador. Ao todo, ele só conta com dois botões, um para ligar/desligar e outro “custom”, em que é possível usar algum assistente pessoal ou ativar algum modo de configuração de som.

Headphone Sony WH-XB900N É possível também parear o headphone usando a tecnologia NFC, caso seu smartphone tenha esta opção. Crédito: Alessandro Feitosa Jr. /Gizmodo Brasil

De modo geral, ele é um headphone grande, e isso tem lá suas vantagens e desvantagens.

Começando com as vantagens, isso quer dizer que ele tem uma bateria monstruosa. A fabricante fala que ele tem autonomia de 30 horas e, olha, aqui a Sony não mente.

Detalhes dos botões do headphone Sony WH-XB900N

Dava certa raiva usar o fone de ouvido por umas 5 horas seguidas e ele mostrar que a bateria ainda estava em 100% — com cancelamento de ruído ativado e tudo o mais. O nível só começou a baixar depois umas 10 horas de uso, e aí foi pra 70%. Resumindo, está bem em sintonia com o que é falado pela marca japonesa. Dependendo do seu uso, dá pra deixa-lo longe da tomada por umas duas semanas.

A desvantagem é que por ser grande e over the ear (portanto, cobre completamente suas orelhas), ele pode ser um incômodo para quem o usa ao ar livre em dias ensolarados.

(A referência ao Racionais MC’s no início do texto tem relação direta com a semana entre 2 e 6 de setembro em São Paulo que fez uma friaca na cidade; a semana em que este texto foi publicado está fazendo um calor desgraçado).

Então, se você precisa caminhar por um tempo debaixo de um solzão, é bem capaz que suas orelhas suem. Por mim, tudo bem, pois o fone me impede de ouvir ruídos externos, mas após um tempo pode incomodar. Problema de quem vive em país tropical, né?

Usando o headphone Sony WH-XB900N

Já que começamos a falar de som, os controles do Sony lembram muito o WH-100XM2, que testei no ano passado.

Primeiro, usei sem o app oficial da Sony. Então, liguei o headphone, pareei com o smartphone e comecei a ouvir. O tal botão custom, citado lá no início do texto, servia para ativar ou desativar o cancelamento de ruído. Não há distorções e o grave é bem bacana. Aí o usuário tem que ter um cuidado, né? Pois ao somar o cancelamento de ruído mais as batidas fortes, talvez isso cause algum problema na audição no longo prazo. Aliás, por ter cancelamento de ruído, você não precisa deixar o som sempre no talo — algo que costuma rolar ao utilizar fones sem noise cancelling.

Interface do app Headphones, da Sony

Após um tempo, decidi instalar o app Headphones Connect, da Sony. Aí as coisas começam a ficar mais interessantes. Com ele, é possível configurar o nível de cancelamento de ruído e ativar o Adapt Sound Control. Como o próprio app explica, ele detecta suas ações e ajusta automaticamente a forma de absorver o som ambiente.

Então, se você deixar selecionado o foco na voz, mesmo com o cancelamento de ruído, um microfone externo “abrirá” o microfone para fazer você ouvir algum ruído externo alto. Quando estava andando pela rua e, do nada, um carro ou um ônibus fazia algum barulho muito alto, eu conseguia ouvir; o mesmo acontecia quando alguém se dirigia a mim para falar algo.

O chato é que por padrão o headphone executa uma notificação enquanto muda de modo. Se você estiver parado e começar a se mexer, ele fará um barulho bem chato para indicar a mudança no controle adaptativo de som. Depois de um tempo, descobri que é possível desativar isso no aplicativo e minha vida melhorou bastante.

Mexer no surround no aplicativo é outra coisa que pode agradar quem gosta de batida. Chamado de VPT (Virtualphones Technology), o sistema conta com vários ajustes para as músicas, como discoteca, arena, entre outros. O que mais me agradou foi o modo “arena”, que, como o nome sugere, dá aquela sensação de se estar em um show, mas ao lado da caixa de som.

Headphone Sony WH-XB900N

Fora isso, o Sony WH-XB900N tem dois recursos bem interessantes para controle do que você estiver tocando. Um deles é o Touch Panel Control. Ao deslizar o dedo na parte de fora da concha direita, é possível passar de música ou mesmo aumentar ou diminuir o som (arrastando o dedo para cima ou para baixo). Ainda que possa ser útil, não consegui me acostumar direito — talvez por uma questão de hábito, eu já ia direto no smartphone e mudava de música ou alterava o volume. Além disso, não consegui usar os gestos com tanta precisão.

Agora, o que mais gostei mesmo é o que a Sony chama de Quick Attention. Basta você colocar a mão sobre a parte externa da concha do lado direito que o volume é reduzido. Isso foi disparado uma das coisas mais legais do fone e claramente um homenagem da Sony à pose da mãozinha do cantor José Rico, da dupla Milionário e José Rico.

Pra quem é?

O Sony WH-XB900N é um baita headphone, e ele tem este apelo de ter cancelamento de ruído e ainda ter um bass forte, algo que sempre foi um diferencial de fones da Beats, da Apple.

Penso que o público dele é quem já tem um fone com cancelamento de ruído e quer partir para um melhor. Com preço sugerido de R$ 1.300 e vendido apenas no site da Sony, ele pode assustar quem não nunca teve um desses na vida, aliás é o preço de um smartphone.

Ao mesmo tempo, comparando com os concorrentes, ele tem um custo muito parecido, por exemplo, com o JBL Everest Elite 750NC, que tem preço sugerido de R$ 1.259. A grande diferença entre eles é que o Sony promete 30 horas de autonomia, enquanto o modelo da JBL fala em 15 horas. Tem ainda os headphones da Bose, mas eles têm preço que começam em R$ 1.500.

Óbvio, é possível achar opções no mercado mais baratas, com preço entre R$ 600 e R$ 800, mas com menos autonomia de bateria ou com foco apenas em cancelamento de ruído (juntar noise cancelling e bass alto é algo difícil de se achar). Uma das opções é o WH-C700N, da Sony, que tem preço sugerido na casa dos R$ 700, que tem autonomia de até 35 horas.

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Headphone com cancelamento de ruído é um luxo — a não ser que você trabalhe em algum ambiente insalubre —, porém ter a paz de ouvir apenas a música ou o podcast que está tocando em seu smartphone é bom demais.

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