Um homem chinês ex-estudante de engenharia que morava em Oregon, Estados Unidos, confessou nesta quarta-feira (22) que era um dos responsáveis pelo tráfico de mercadorias em um esquema de troca de iPhones falsos por originais.

De acordo com os documentos da justiça, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA abriu uma investigação em 2017 para ter mais detalhes sobre alguns envios de iPhones falsificados, o que os levou a Quan Jiang.



Os investigadores disseram que Jiang contou a eles, durante um interrogatório em dezembro de 2017, que ele recebia regularmente pacotes da China que continham entre 20 e 30 iPhones inoperáveis e que ele trocava esses itens por modelos legítimos pelo programa de garantia da Apple. O homem alegava que os aparelhos não ligavam.

Jiang disse aos investigadores que depois de trocar os iPhones falsos por produtos legítimos da Apple, tanto pessoalmente quanto pela internet, ele os enviava de volta para a China, onde eram vendidos por centenas de dólares. Em troca, Jiang recebia uma parte da grana. Esse dinheiro aparentemente era entregue à mãe de Jiang, que mora na China e o depositava em sua conta.

Embora ele tenha utilizado muitos pseudônimos e nomes de amigos e família para manter o esquema funcionando, os registros da Apple mostram que Jiang estava ligado a 3.069 pedidos de troca, fosse com seu nome, endereço, e-mail ou IP, conforme apontam os documentos da justiça.

Os registros da empresa mostram que 1.576 pedidos de troca na garantia foram negados, mas ainda assim o golpista conseguiu trocar 1.493 iPhones. Como cada troca é avaliada pela Apple em US$ 600, o prejuízo para a companhia chegou a cerca de US$ 900 mil.

“Fraudes comprometem o comércio e inevitavelmente levam a maiores preços de produtos que milhões de consumidores adquirem”, disse Billy J. Williams, procurador dos EUA no distrito de Oregon, em um comunicado. “Os investigadores que trabalharam nesse caso e outros casos similares oferecem um serviço público de valor inestimável para as empresas americanas, empreendedores e consumidores ao preservar um livre mercado competitivo e livre da interferência de criminosos”.

A Apple não respondeu aos pedidos de comentário.

Jiang enfrentará até 10 anos de prisão e uma multa de US$ 2 milhões ou o dobro de seus lucros, dependendo do que for maior. Ele também precisará pagar US$ 200 mil à Apple em restituições como parte de seu acordo de defesa. Sua sentença está agendada para o final de agosto.