Há tempos a HTC está em apuros. A empresa não consegue emplacar novos aparelhos high-end, sofre com atrasos na fabricação e seu lucro trimestral caiu pela sexta vez seguida. Agora ela tem mais um problema para se preocupar: cinco altos executivos saíram da empresa.

O diretor de produto, Kouji Kodera, deixou a HTC na semana passada. Ele trabalhava lá desde 2010, e era responsável por tudo o que envolvia a criação, desenvolvimento e inovação de novos produtos.

Ele não foi o único do alto escalão a sair: o vice-presidente de comunicação global, Jason Gordon, deixou a HTC na última sexta-feira. E nos últimos três meses, houve outras baixas, como a gerente global de marketing, Rebecca Rowland; o diretor de marketing digital, John Starkweather; e o gerente de estratégia de produto, Eric Lin.

Na verdade, Lin deixou um recado bem sincero a seus ex-colegas da empresa: “demitam-se, saiam agora”. (Ele agora trabalha para a Microsoft, na divisão do Skype.)

O que acontece? Fontes dizem ao The Verge que o novo diretor de marketing, Ben Ho, está levando parte do planejamento e estratégia para Taiwan, onde fica a sede da HTC – e a sucursal em Seattle (EUA) estaria sendo reduzida. “Eles estão totalmente em queda livre”, diz uma das fontes.

Parece, no entanto, que o problema está mais acima: especificamente, no CEO Peter Chou. De acordo com as fontes, ele ordenou que o One fosse lançado no início de 2013, mesmo após ser alertado de possíveis atrasos nos fornecedores. Como resultado, o One chegou a apenas três países até o final de março – a HTC prometeu lançá-lo em 80 mercados.

Apesar de bem-recebido em reviews, o HTC One desaponta em alguns aspectos, como a câmera e nova interface Sense. E fora estar disponível em poucos mercados, o aparelho não conta com uma campanha de marketing à altura – como o Samsung Galaxy S4, por exemplo. Segundo o Wall Street Journal, Peter Chou disse a seus altos executivos que deixaria o cargo de CEO caso o One não fosse um sucesso.

Para piorar a situação, a HTC esperava que seu Facebook Phone – o First – ajudasse a alavancar as vendas. No entanto, rumores dizem que o aparelho teve vendas muito fracas e não estará mais disponível em breve. A AT&T, operadora que vende o First com exclusividade, reduziu seu preço de 99 dólares para 99 centavos (em contrato de dois anos).

O que pode salvar a HTC? Talvez apostar mais forte no marketing, já que eles criaram um bom produto. Quem sabe lançar modelos mid- e low-end: eles podem ter ido longe demais ao limpar sua linha de produtos. De um jeito ou de outro, eles precisam lidar com a presença cada vez maior da Samsung, e não podem contar tanto com a Microsoft, sua antiga parceira – ela agora só tem olhos para a Nokia.

O futuro da HTC pode estar em sério risco. Mesmo que você sinta algum prazer sádico em vê-la em apuros – a empresa deixou o Brasil no ano passado – menos concorrência em smartphones não é boa notícia. [The Verge e All Things D]