A Huawei teve resultados financeiros positivos no segundo trimestre do ano, entre abril e junho, apesar das restrições impostas pelos Estados Unidos. A companhia divulgou nesta terça-feira (30) seu balancete que mostra aumento de 23% de receitas para a primeira metade de 2019, em comparação ao mesmo período do ano passado.

A empresa ainda teve um crescimento de 24% nas receitas com smartphones. Foram 118 milhões de celulares enviados no mundo todo desde o começo do ano. De acordo com o presidente da Huawei, Liang Hua, as restrições dos EUA frearam o crescimento, mas foram “controláveis”.

A receita da companhia chegou a 401,3 bilhões de yuans chineses (cerca de R$ 220 bilhões). Boa parte dessa receita veio dos negócios de smartphones, mas principalmente da liderança que a Huawei exerce no mercado de telecomunicações e de implementação da tecnologia 5G.

Essa predominância da Huawei, inclusive, é o que motiva a proibição de empresas americanas fazerem negócios com a companhia chinesa. De acordo com o governo americano, a Huawei representa riscos à segurança nacional.

Em maio, o governo Trump acrescentou a Huawei e 68 afiliadas a uma “Lista de Entidades” que restringia transferências de tecnologia dos EUA para a empresa sem aprovação do governo em meio a advertências da comunidade de inteligência de que a empresa poderia atuar como um proxy para agências de espionagem chinesas. A Huawei nega, diz que os Estados Unidos não têm provas e chegou a se comprometer a assinar “acordo de não espionagem” com governos.

Apesar dos bons resultados, o presidente da Huawei diz que haverão desafios no próximo semestre. “Na segunda metade [deste ano] e no próximo ano, ainda iremos enfrentar essas dificuldades”, disse Liang. O executivo completou ainda que a empresa perdeu terreno em alguns mercados.

Paralelamente a divulgação dos resultados financeiros, o site The Information noticiou que a Huawei estava trabalhando com o Google em um alto-falante inteligente, estilo Amazon Echo e Google Home, antes da proibição de Trump.

O dispositivo deveria ser revelado em setembro deste ano, durante a IFA, evento de tecnologia de consumo na Alemanha. De acordo com a reportagem do Information, um funcionário que preferiu se manter anônimo revelou os planos. Além disso, o histórico de parcerias do Google corrobora a história – ambas empresas vinham se juntando para o lançamento de produtos, como aconteceu com os últimos smartphones da linha Nexus. Além disso, a chinesa Lenovo é uma parceira do Google no mercado de dispositivos inteligentes.

[CNN, The Information]