Sem citar restrições dos EUA, Huawei diz que poderia ser líder em smartphones ainda neste ano

Durante abertura da CES Asia, executivo da Huawei diz que empresa poderia ser líder em smartphones ainda no quarto semestre deste ano.

Shao Yang, executivo da Huawei, durante apresentação na CES Asia

Shao Yang, da Huawei. Crédito: CES Asia

XANGAI* – A Huawei vinha dando passos largos no mercado de smartphones, mas esbarrou em alguns obstáculos. Ao longo de 2018, a companhia se consolidou na segunda colocação em vendas de celulares, atrás apenas da Samsung. Uma das metas da companhia era figurar no primeiro lugar ainda neste ano – objetivo que aparentemente foi barrado pelas restrições que os Estados Unidos impuseram à companhia.

A desaceleração foi comentada por um dos principais executivos da empresa, Shao Yang, líder da divisão de estratégia do grupo de produtos de consumo da Huawei. “A gente poderia se tornar a maior fabricante no quarto trimestre [deste ano], mas agora achamos que esse processo pode demorar mais tempo”, disse ele durante a apresentação de abertura da CES Asia, evento que acontece em Xangai, na China.

Yang não elaborou o tema, nem citou as restrições dos Estados Unidos. Acontece que as previsões de analistas de mercado eram bem mais positivas antes de a companhia entrar na lista de “empresas de risco à segurança nacional”.

Falar sobre a relação turbulenta entre Estados Unidos e China durante o governo Donald Trump é algo que tem sido evitado na CES Asia.

O vice-presidente de pesquisa da CTA (empresa que organiza o evento), Steve Koenig, não se alongou sobre o tema em uma breve conversa com o Gizmodo Brasil. “As tarifas são ruins para consumidores e para os negócios. A CES Asia continua a crescer. As empresas querem vir aqui e competir, fazer parcerias, tirar vantagem das inovações que surgem na China. E a expectativa é que isso continue […] a Huawei está presente na CES Asia e é uma peça importante na indústria wireless. É só isso que eu posso falar”, comentou.

Segundo o executivo da Huawei, são vendidos entre 500 mil e 600 mil smartphones Huawei por dia no mundo todo. Caso as restrições americanas não caiam até o final de agosto, esses aparelhos começarão a sair de fábrica sem o Android, já que o Google cortou relações com a companhia.

De acordo com a Reuters, consumidores na Europa e Ásia disseram estar relutantes em comprar celulares da empresa por causa das incertezas. Analistas esperam queda nas vendas de smartphones.

Diversas outras empresas americanas também deixaram de fazer negócios com a Huawei. Entre elas estão a Intel, Qualcomm, Broadcom, Western Digital e até a britânica ARM. Mais recentemente, o Facebook anunciou que não irá mais permitir que seus apps sejam pré-instalados nos celulares (ainda que o app funcione normalmente nos aparelhos da marca)

* O jornalista viajou para Xangai a convite da CTA, empresa que organiza a CES.

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