Para uma sessão curta eu levava 3 ou 4 livros (isso se fosse jogador, se fosse mestrar então, o número dobra), uma caixa com miniaturas e pasta com fichas dos personagens. É uma tralha de impor respeito. E para completar sempre fui um adepto de que as fichas dos meus personagens deveriam ter marcas de batalha, como manchas de coca-cola, gordura de pizza e borrões de tanto apagar o espaço dos HPs. Mas mesmo um cara old school pode aprender novos truques.

Faz pouco mais de um mês que carrego os livros de forma eletrônica e agora é a vez das fichas em papel entrarem em pânico. O ótimo eNote Taker já me deixava rabiscar por cima dos PDFs com meus personagens mas com a descoberta do i4e a coisa muda de figura.

O app da Cordax Software junta todas as minhas fichas de Dungeons and Dragons, especificamente as de quarta edição, em apenas um lugar. Ok, minha velha pastinha também fazia isso, mas a beleza e a facilidade de uso tornam esta opção muito atraente.

A lista de coisas que precisamos lidar em um jogo é grande: cuidar de hit points, lista e descrição de poderes, recursos exauridos, condições em que o personagem encontra-se, lista de itens mágicos, action points, milestones, e por ai vai. O i4e é uma grande mão na roda para fazer isso porque o controle desses recursos é feito de forma muito intuitiva. Para se ter uma ideia, ele possui ferramentas integradas para calcular na ficha automaticamente o uso dos recursos. Não há desculpa para um “ah, eu ainda tenho mais um qualquer coisa” de pessoas matematicamente desafiadas.

O editor permite tanto criar quanto importar fichas. Cada parte pode ser editada manualmente e deixar a ficha do seu elfo arqueiro com nome de Kegolas com aquele jeitão de “eu que fiz”. Mas a facilidade de poder importar as fichas no formato fornecido pelo D&D Insider Character Builder (.dnd4e), que é a ferramenta online oficial da Wizards of the Coast para criação de personagens, deixa tudo mais fácil. No segundo método, todos os dados são importados por um site da Cordax que vincula as fichas a uma conta de email. O site permite também editar o personagem no browser do seu computador ao invés de ter que usar o teclado virtual.

O trabalho visual tanto para iPad quanto para iPhone são ótimos — ele custa US$4,99, mas é universal, funcionando em ambos. Cada versão tem os mesmos recursos mas a formatação muda para se adaptar a cada aparelho — a versão do iPhone, por exemplo, exige mais telas para visualizar todo o conteúdo.

Não sou muito fã de previsões, mas levado pela tendência da novela das 11 (ONZE????) eu olho para um RPG de mesa bem mais tecnológico com o passar do tempo. A mesa Surface da Microsoft é o sonho de qualquer jogador, e com a facilidade dos tablets tudo caminha para uma quantidade menor de papel nas mesas. Porém uma coisa não pode ser mudada para mim: a reunião com os amigos, em volta de uma mesa (eletrônica ou não), para trocar ideias e rir das bobagens alheias. Além da chance única de gritar como uma criança de 10 anos quando seu Rogue humano com nome Waltair rola um 20 no dado (virtual ou não) e arranca fora o coração de um dragão. Esse, amigos, é o doce sabor da vitória e videoconferência nenhuma me proporciona isso.