A inteligência artificial é capaz de fazer muita coisa só de analisar os seus olhos: detectar câncer, riscos cardíacos e até prever sua personalidade. Um novo desenvolvimento da DeepMind, empresa ligada ao Google e que desenvolve soluções de saúde envolvendo a IA, consegue diagnosticar mais de 50 condições relacionadas aos olhos.

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O avanço foi publicado no periódico Nature Medicine e revela um algoritmo capaz de detectar essas condições com a mesma precisão de oftalmologistas, apontar prioridades e recomendar os procedimentos apropriados.

O estudo foi realizado pela DeepMind em parceria com o Moorfields Eye Hospital, que pertence à rede pública de saúde do Reino Unido. O projeto começou há dois anos e, durante esse tempo, um algoritmo foi treinado com milhares de históricos e exames de olhos anônimos para identificar doenças que poderiam causar perda de visão.

Atualmente, o sistema é capaz de fazer os diagnósticos com 94% de precisão e tem tudo para ser um grande aliado dos oftalmologistas – a análise dos exames oculares são bastante complexos e podem levar muito tempo.

Pearse Keane, consultor de oftalmologia do Moorfields Eye Hospital aponta que as doenças oculares estão ficando mais frequentes e que o sistema de saúde, no futuro, pode não dar conta da demanda. “O número de exames oculares que realizamos está crescendo numa velocidade maior do que os especialistas humanos são capazes de acompanhar”, disse em um comunicado.

A inteligência artificial pode realizar diagnósticos mais rápidos e evitar desperdício de tempo do tratamento. Além disso, ela pode explicar para os médicos como chegou a uma conclusão, permitindo que os especialistas verifiquem a precisão do diagnóstico.

O sistema desenvolvido pela DeepMind foi treinado com um scanner específico, mas os pesquisadores afirmam que ele é compatível com qualquer modelo. O próximo passado para a IA é passar por testes clínicos e ganhar a aprovação de agências reguladoras de saúde como a FDA (Food and Drug Administration, órgão americano equivalente à Anvisa) e da EMA (European Medicines Agency).

[CNET]

Imagem do topo: Michele Catania/Flickr