Uma nova pesquisa divulgada na sexta-feira deve aliviar qualquer pessoa preocupada em ter tomado analgésicos de venda livre, como o ibuprofeno, antes de contrair a Covid-19. O amplo estudo não encontrou evidências de que o uso anterior recente de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) levou a sintomas mais graves ou morte entre pacientes hospitalizados à doença.

No início da pandemia, alguns médicos levantaram preocupações de que os AINEs deveriam ser evitados no caso de pacientes com Covid-19. Em ratos de laboratório, os AINEs como o ibuprofeno são conhecidos por elevar os níveis da enzima conversora da angiotensina 2 (ECA2), que também é usada pelo coronavírus para entrar nas células humanas. O medo era que os AINEs, junto com dois outros tipos de medicamentos (inibidores da ECA e bloqueadores do receptor ECA2), pudessem potencialmente aumentar a capacidade do vírus de infectar pessoas e causar quadros graves da doença. Também havia evidências na época de que as pessoas com diabetes e/ou hipertensão eram mais vulneráveis ​​a complicações causadas pela Covid-19, possivelmente porque eram mais propensas a tomar esses medicamentos.

A ligação entre Covid-19 grave e essas condições crônicas tornou-se bem estabelecida neste ponto. Mas algumas, se não todas, as pesquisas sugerem que os AINEs e outros medicamentos não têm qualquer impacto real sobre a Covid-19. Para ajudar a finalmente resolver o debate, os pesquisadores divulgaram o que eles dizem ser o maior estudo desse tipo feito até agora. O trabalho foi publicado na revista Lancet Rheumatology.

Os autores analisaram os registros hospitalares de mais de 70 mil pacientes no Reino Unido que foram hospitalizados com Covid-19. Destes pacientes, 4.211 foram relatados como tendo tomado AINEs antes da admissão. Quando comparado com pessoas que não tomaram AINEs, aqueles que se medicaram tinham a mesma probabilidade de eventualmente morrer (cerca de 30%) durante ou logo após a sua visita ao hospital. Eles também não se mostraram mais propensos a precisar de cuidados intensivos ou intervenções como oxigênio e ventilação. O mesmo padrão foi observado quando os pesquisadores analisaram apenas pacientes com doenças inflamatórias ou relacionadas ao sistema imunológico.

“Quando a pandemia começou há mais de um ano, precisávamos ter certeza de que esses medicamentos comuns não levariam a piores resultados em pessoas com Covid-19”, disse a autora principal do estudo, Ewen Harrison, pesquisadora da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, em um comunicado divulgado pela Lancet. “Agora temos evidências claras de que os AINEs são seguros para uso em pacientes com Covid-19, o que deve fornecer garantias aos médicos e aos pacientes de que podem continuar a ser usados ​​da mesma forma que antes do início da pandemia.”

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As conclusões do estudo ainda devem ser confirmadas por mais pesquisas, mas a maior parte dos dados relevantes coletados antes e durante a pandemia parecem apontar para nenhum efeito de AINEs na Covid-19. Uma revisão conduzida pela Organização Mundial da Saúde em abril de 2020, por exemplo, concluiu que não havia nenhuma evidência de que os AINEs tivessem um efeito na saúde ou sobrevivência dos pacientes com Covid-19.