A plataforma de gelo Larsen C, aquela que se soltou recentemente, deu à luz um bebê de mais de 450 bilhões de quilos, na semana passada, um iceberg chamado agora de A68. As observações mais recentes sugerem que esse iceberg gigante se moveu mais de 2,4 quilômetros de seu ponto de partida e que ele já está começando a rachar.

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O iceberg A68, de 5.800 quilômetros quadrados, finalmente se separou em 12 de julho, e cientistas agora estão monitorando de perto o seu progresso. A trajetória do iceberg é difícil de prever, particularmente porque se espera que pedaços menores se separem da superestrutura e persigam seu próprio destino nas águas geladas do mar de Weddell. O US National Ice Center suspeita que o A68 vá se desviar para o leste-noroeste, ao longo da Península Antártica, no giro de Weddell, nos próximos meses. Ele provavelmente vai se romper antes que se distancie longe o suficiente para o norte para entrar na Corrente Circumpolar Antártica.

O peso do gelo, e a tensão imposta pelas correntes turbulentas no Mar de Weddell, está colocando muita pressão sobre o iceberg, e isso está começando a aparecer. Imagens de satélite da Agência Espacial Europeia e do Programa de Copernicus da União Europeia mostram que o iceberg está de fato se estilhaçando. Legiões de pequenos icebergs estão começando a aparecer em torno do perímetro do A68, enquanto novas rachaduras estão se formando constantemente nas bordas. Na ponta norte do iceberg, três icebergs bem grandes se romperam.

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Imagem do A68 e da plataforma de gelo Larsen C em 14 de julho, apenas dois depois do evento de separação (Imagem cortesia da Deimos Imaging, UrtheCast Company.)

Enquanto isso, na Península Antártica, a plataforma de gelo que restou, a Larsen C, também está mostrando sinais de tensão. Pesquisadores do Project MIDAS, que têm monitorado o iceberg de perto pelos últimos meses, estavam preocupados que o evento de separação gigantesco pudesse acelerar rompimentos em outros lugares da plataforma de gelo, e parece que esse é o caso agora.

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Mapa da Larsen C, sobreposto com imagem térmica da NASA MODIS de 12 de julho de 2017, mostrando que o iceberg se rompeu (Imagem: Project MIDAS)

Novas observações mostram a persistência das fendas (as linhas curvas escuras na imagem acima), manchas que representam o local de nascimento de futuros icebergs. Além disso, uma nova fenda começou a se estender em direção ao norte, o que poderia resultar em mais um evento, embora menor, de separação. O Project MIDAS suspeita que nova fenda vai, em breve, se virar para a borda da plataforma e que continuará em direção à elevação de gelo Bawden — uma junção de estabilização crucial para a plataforma de gelo Larsen C.

Como apontamos anteriormente, esses são todos processos naturais, e (até onde sabemos) não resultado da mudança climática. Dito isso, alguns membros da comunidade científica discordam.

“Para mim, é uma assinatura inequívoca do impacto da mudança climática na Larsen C”, disse Eric Rignot, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. “Isso não é um ciclo natural. Essa é a resposta do sistema a um clima mais quente, de cima a baixo. Nada mais pode causar isso.”

Então, muita coisa ainda está acontecendo aqui, tanto em termos de processos geológicos e na ciência subjacente por trás disso tudo. A Antártida é um lugar fascinante, e suas paisagem congelada está literalmente evoluindo diante de nossos olhos.

[Project MIDAS, Climate Central, US National Ice Center, ESA]

Imagem do topo: cortesia de Deimos Imaging, UrtheCast Company