Acho que todos podemos concordar que as Olimpíadas de 2020 em Tóquio, no Japão, estão, de certa forma, amaldiçoadas. A competição foi atrasada em um ano devido à pandemia de Covid-19, mas a demora na realização dos Jogos e várias precauções não impediram que atletas e trabalhadores contraíssem o vírus.

Como se não bastasse, há ainda a crise climática. As Olimpíadas de Tóquio já figuram entre as mais quentes da história, com índices beirando a casa dos 40°C. Está tão quente que alguns atletas viram suas partidas serem adiadas; outros, precisaram de sombra e água fresca para lidar com as altas temperaturas. Abaixo, veja fotos de como as condições climáticas extremas estão afetando os Jogos Olímpicos 2020. Se vamos ter jogos olímpicos nos próximos anos, é melhor darmos uma boa olhada nas tendências climáticas antes de reservar um local.

Insolação nos jogos de tênis

Por qualquer medida normal, está muito quente para jogar tênis em Tóquio. Mesmo assim, as partidas já começaram. E quem sofre são os jogadores. Na semana passada, a tenista espanhola Paula Badosa sofreu uma insolação, que a forçou a deixar a quadra em uma cadeira de rodas, perdendo a partida de jogadoras individuais das quartas de final contra a integrante da República Tcheca, Marketa Vondrousova.

No mesmo dia, o tenista russo Daniil Medvedev disse a um árbitro que temia por sua vida por causa do calor. Os oficiais, então, adiaram o início das partidas de tênis para às 15h00 (horário local), em vez de 11h00 da manhã, para evitar o clima mais quente. O problema é que mesmo no final da tarde, Tóquio ainda registra altíssimas temperaturas.

Pés queimados no vôlei de praia

Para ajudar os jogadores a se refrescarem, os organizadores das Olimpíadas 2020 instalaram ventiladores elétricos e forneceram aos competidores baldes de gelo e refrigeradores com água mineral. Mas tudo isso só vai até certo ponto no vôlei de praia, que se joga descalço. Logo, essas medidas não ajudam muito a esfriar a areia.

Os jogadores da modalidade sofreram não apenas com o ar quente, mas também com as terríveis temperaturas do solo. Na verdade, durante os treinos do mês passado, alguns jogadores disseram que a areia queimou seus pés, forçando-os a deixar a quadra. Os oficiais tiveram que limpar a areia com água antes que os competidores pudessem retornar. No entanto, locutores da NBC que cobrem os jogos disseram que a areia atingiu até 45°C durante partidas recentes.

Arqueira desmaia por causa do calor

As competições de tiro com arco também têm sido extremamente quentes. Durante a primeira semana das Olimpíadas, a arqueira russa Svetlana Gomboeva desmaiou enquanto verificava sua pontuação final. Naquele dia, na cúpula do arco e flecha, as temperaturas máximas atingiram 33°C. Os companheiros de equipe de Gomboeva correram para o lado dela e colocaram sacos de gelo em sua cabeça para resfriá-la, e ela rapidamente recuperou a consciência. Contudo, a jogadora precisou deixar o local em uma maca hospitalar.

Calor intenso no futebol

As seleções de futebol feminino do Canadá e Suécia devem jogar a final da disputa pela medalha de ouro na sexta-feira (6), às 11h00 da manhã (horário local). Porém, na última quarta-feira (4), as delegações das duas equipes solicitaram que a partida fosse remarcada devido ao calor e umidade extremos projetados para a manhã do jogo. De acordo com o âncora da CBC News, Devin Heroux, há um problema: o atletismo já tem reservado o estádio para o horário da noite. Esperamos que uma solução seja encontrada — talvez mover o jogo para o Estádio de Yokohama, onde a semifinal foi realizada esta semana, para evitar o pico de calor do dia.

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A maratona? Também vai estar quente

As corridas de maratona feminina e masculina estão programadas para acontecer em Sapporo neste fim de semana. Elas foram originalmente planejadas para Tóquio, mas os organizadores realocaram a competição para Sapporo, que fica bem ao norte de Tóquio e localizada na ilha de Hokkaido, que geralmente é mais fria.

Mas parece que o calor não pode ser evitado tão facilmente. Hokkaido está atualmente passando por uma onda de calor histórica — as temperaturas médias durante o mês de julho estabeleceram recordes, subindo para 38,4°C. Estas, sem dúvida, não são condições ideais para correr qualquer distância, muito menos 42,2 quilômetros. Os organizadores estão se precavendo. Foram colocadas 14 estações de água ao longo do percurso, sendo que nove delas terão gelo picado. Mas isso não deve ser suficiente para refrescar os atletas.