E… o vídeo tem literalmente seis segundos de uma bolha pixelizada. Mas antes de você começar a rir, saiba o seguinte: capturar esse trânsito planetário que você testemunhará não foi nada fácil.

Você está olhando para Beta Pictoris b, um planeta gasoso – composto principalmente de hidrogênio e hélio – com 10 a 20 vezes a massa de Júpiter e que orbita uma estrela a 60 anos-luz de distância. Isso dá mais ou menos 568.000.000.000.000 km de distância de nós, e estamos conseguindo ver!

Se você ainda não está impressionado, tente ver por esse lado: o Beta Pictoris b tem um brilho mais ou menos um milhão de vezes mais fraco do que a sua estrela-mãe – e ainda conseguimos visualizá-lo.

Da nossa perspectiva, o Beta Pictoris b deveria ser completamente engolido pelas luzes das estrelas. Ainda assim, uma equipe de astrônomos liderada por Maxwell Millar-Blanchaer , da Universidade de Toronto (Canadá), conseguiu detectar o planeta graças a uma engenharia óptica incrível.

O telescópio Gemini Sul, no Chile, possui um sensor Gemini Planet Imager (GPI) com sistema ótico adaptativo. Primeiro, ele anula a distorção causada pela atmosfera da Terra. Na sequência, ele usa um filtro chamado coronógrafo para bloquear a luz das estrelas, revelando o brilho fraco de planetas em órbita.

Mesmo com o sistema óptico mais avançado do mundo, os astrônomos só conseguem imagens diretas de poucos exoplanetas – todos eles sendo gigantes gasosos com o tamanho superior ao de Júpiter. Já identificamos mais de 2.000 planetas via método de trânsito indireto, que implica a medição da sombra feita por em uma estrela por um planeta que cruza seu caminho.

Mas com os futuros observatórios como o Telescópio Espacial James Webb, seremos capazes de ver mais longe no espaço, bloqueando mais luz de estrelas e vendo planetas que eram inimagináveis no passado. Talvez existam bilhões de planetas nos esperando, e estamos construindo as ferramentas para encontrá-los. [arXiv via SETI]