Este é o A-74, um enorme iceberg que se separou da plataforma de gelo Brunt, na Antártica, no mês passado. Aqui está o que sabemos sobre ele e o que pode acontecer a seguir.

Cientistas do British Antarctic Survey relataram o nascimento do novo iceberg em 26 de fevereiro, que foi detectado com equipamento GPS. Christopher Readinger, analista de gelo do US National Ice Center, confirmou o evento no dia seguinte, analisando fotos de satélite tiradas pelo Sentinel-1A. O USNIC chamou o iceberg de “A-74”, usando uma convenção de nomenclatura que batiza esses pedaços de gelo de acordo com o quadrante Antártico em que foram originalmente localizados.

Imagem com anotações mostrando o novo iceberg e as características ao redor. Crédito: Joshua Stevens, usando dados Landsat do US Geological Survey e dados de contribuidores do © OpenStreetMap

O A-74 se separou da plataforma de gelo Brunt, a nordeste do McDonald Ice Rumples, uma região caracterizada por fendas produzidas por uma formação subaquática que bloqueia o fluxo de gelo, de acordo com o Observatório da Terra da Nasa. Uma rachadura de destaque, conhecida como Halloween Crack, corta a plataforma de gelo desde 2016, segundo a Agência Espacial Europeia.

Com um tamanho de 1.270 quilômetros quadrados, o A-74 é maior que a cidade do Rio de Janeiro. Em comparação, o último iceberg A-68 – que agora está em pedaços na costa da ilha da Geórgia do Sul – era quase cinco vezes maior quando se partiu da plataforma de gelo Larsen C da Antártica em 2017.

Não é uma grande surpresa que a plataforma de gelo Brunt produziria um iceberg desse tamanho, já que os glaciologistas do BAS têm monitorado a área – e documentado várias rachaduras e abismos – nos últimos dois anos. Dito isso, esta é a primeira grande ruptura da plataforma de gelo Brunt desde 1971, de acordo com a Agência Espacial Europeia. Embora as mudanças climáticas estejam causando uma redução cada vez mais acelerada no gelo da Antártica, derretendo-o por cima e por baixo, esse evento de ruptura é provavelmente o resultado de processos naturais ocorrendo.

O A-74 é agora um iceberg flutuante, mas não fez muito com sua liberdade recém-descoberta. Pierre Markuse, um especialista em sensoriamento remoto, disse que “nada realmente novo aconteceu” desde que o iceberg se rompeu, e “ainda está muito perto da plataforma de gelo”. Algumas bordas parecem estar “se desfazendo um pouco, mas nada importante até agora”, ele explicou em uma DM no Twitter. A falta de movimento torna difícil prever onde o A-74 pode eventualmente vagar, mas os cientistas têm uma noção geral dos cenários que podem ocorrer.

Iceberg A-74 como apareceu em 3 de março de 2021. Imagem: Copernicus/Sentinel-3/Antonio Vecoli

“Ao longo das semanas e meses seguintes, o iceberg pode ser arrastado pela rápida corrente costeira que flui para o sudoeste, encalhar ou causar mais danos ao colidir com a plataforma de gelo Brunt ao sul.” Mark Drinkwater, um especialista em sensoriamento remoto criosférico da ESA, explicou em um comunicado. “Portanto, estaremos monitorando cuidadosamente a situação usando os dados fornecidos pela missão Copernicus Sentinel-1.”

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O A-74 poderia eventualmente derivar para o Gyre Weddell (que foi o que aconteceu com A-68), e de lá migrar para norte até a Corrente Circumpolar Antártica. Isso será relevante para a indústria naval, já que o iceberg pode produzir um número perigoso de icebergs incipientes nos próximos meses e anos.