Quando o governo anunciou que a Foxconn investiria US$12 bilhões no país, os planos não incluíam só produtos da Apple: a chinesa pretende abrir uma nova fábrica para fabricar telas LCD. Só que, aparentemente, a Foxconn quer usar tecnologia antiga no país. O governo não gostou, e criou-se o impasse.

A Folha de S. Paulo diz que:

O governo Dilma exige que a empresa use na futura unidade brasileira sua tecnologia de última geração. A Foxconn, que fabrica os produtos da Apple, resiste…

Nas últimas conversas, o governo defendeu que a Foxconn entrasse com sua tecnologia mais avançada na fabricação de telas, que permite produzir unidades de diversos tamanhos. Os planos da empresa, no entanto, são usar a tecnologia anterior, que não permite upgrade.

Isto é importante porque o acordo com a Foxconn estabelece transferência de tecnologia para o Brasil. É um investimento estratégico e, se não houver acordo, o BNDES não financiará a nova fábrica da Foxconn.

Mas que tecnologia “mais avançada” e “de última geração” é essa? O texto, infelizmente, é confuso. Parece que o impasse se trata de criar telas LCD sem retroiluminação LED: as telas fabricadas no Brasil teriam iluminação fluorescente.

Mas o texto também cita a tecnologia OLED, usada em telas lindas porém insanamente caras. O governo não estaria exigindo que a Foxconn fabricasse telas OLED no Brasil, certo? Nós vamos apurar exatamente quais são as reivindicações do governo.

De um jeito ou de outro, ver a Foxconn usando tecnologia antiga no país soa bastante plausível. Nós já cogitamos antes que a fábrica da Foxconn no Brasil só produziria gadgets da Apple mais baratos, devido aos altos impostos e margens de lucro. Aparentemente, o mesmo vale para as futuras telas a serem fabricadas pela Foxconn.

A nova fábrica terá apoio de Eike Batista, e deve ser instalada na região metropolitana de Belo Horizonte – se o impasse for resolvido. [Folha via Terra]

Foto por Nadkachna/Wikimedia