Nesta semana, a Intel realizou mais um evento anual do Intel Architecture Day, em que a companhia prevê grandes mudanças nos componentes e processadores fabricados pela empresa. E para este ano, as coisas não são diferentes. Inclusive, elas vão além, com a Intel destacando seus avanços como algumas das “maiores mudanças em uma geração” em suas CPUs, GPUs e outras peças.

Quando se trata de dispositivos de consumo, as novas linhas de produtos a serem observadas são a Alder Lake, que é a arquitetura de CPU de próxima geração da Intel, e a família Alchemist, codinome para a próxima placa de vídeo da Intel e o primeiro produto da nova linha Arc, que tem como principal destaque o alto desempenho para jogos — e de quebra uma pontinha a mais de concorrência com a Nvidia e AMD.

Nova arquitetura

Antes de falarmos sobre novas CPUs, temos que destrinchar o design dos novos processadores da Intel, já que as grandes mudanças na arquitetura são o que realmente está abrindo caminho para ganhos em desempenho e eficiência energética.

Em vez de simplesmente enfileirar mais núcleos em um molde menor, a Intel, pela primeira vez, está mudando para uma nova arquitetura híbrida composta de núcleos de desempenho mais rápidos, que por sua vez são aumentados por núcleos de eficiência de consumo de energia. A proposta é muito semelhante ao que fabricantes de chips ARM vêm fazendo há anos em dispositivos móveis.

Sob o codinome anterior “Golden Cove”, a Intel diz que a nova microarquitetura de performance apresenta mais decodificadores (de 4 a 6), mais portas de execução (de 10 a 12), arquivos de registro maiores e previsão de ramificação aprimorada. Ao todo, em comparação com os atuais processadores Cypress Cove de 11ª geração rodando na mesma frequência, a Intel diz que seus novos núcleos têm desempenho cerca de 19% melhor se comparado aos padrões atuais. Além disso, graças à adição das novas extensões de matriz avançada da Intel, esses núcleos também estão recebendo um grande impulso no processamento de inteligência artificial (IA).

E como seria de se esperar de uma nova arquitetura de CPU, a linha Alder Lake também foi projetada para oferecer melhor suporte a novos padrões de componentes, incluindo RAM DDR5, PCIe Gen 5, Thunderbolt 4, Wi-Fi 6e e muito mais.

Enquanto isso, complementando seus núcleos de desempenho, a nova microarquiteturde eficiência conhecida anteriormente por “Gracemont” suporta multitarefa aprimorada graças ao desempenho multithread melhorado com o que a Intel afirma ser sua microarquitetura x86 mais eficiente até então. Resumindo: a Intel diz que seus novos núcleos de eficiência fornecem 40% mais desempenho de thread único nos mesmos níveis de energia, ou fornecem desempenho semelhante usando 40% menos energia. E quando comparados aos chips Skylake da Intel para rendimento geral, quatro dos novos núcleos de eficiência fornecem 80% mais desempenho em comparação com dois núcleos Skylake executando quatro threads.

Também para gerenciar melhor as cargas de trabalho entre seus núcleos de desempenho e eficiência, a Intel está introduzindo o novo agendador Thread Director, que fornece suporte baseado em hardware para atribuir processos dinâmicos ao núcleo principal.

Alder Lake

Quanto ao próprio Alder Lake, os novos chips serão construídos no processo Intel 7, com três designs principais distintos e destinados para desktops, notebooks de alto desempenho e uma variedade de dispositivos de baixo consumo de energia. Os novos processadores estarão disponíveis com um número variável de núcleos e threads, com as CPUs mais poderosas chegando a 16 núcleos, 24 threads e 30 MB de cache LL.

Para a nova família Alchemist, a Intel não deu grandes detalhes da arquitetura por trás de sua próxima GPU, mas revelou uma série de recursos importantes e pontos de design. Uma das novidades é que, em vez de fabricar o próprio chip da Alchemist, a Intel está contando com o processo N6 de 6 nm da TSMC para a produção da placa de vídeo, sinalizando uma grande mudança para uma empresa que anteriormente dependia fortemente de fabricação interna.

Em vez de se concentrar no número de unidades de execução, a arquitetura do Alchemist é baseada no que a Intel está chamando de “núcleos XE”, que serão compostos de 16 motores de vetor e 16 motores de matriz, com unidades adicionais de ray-tracing que suportam DirectX Raytracing e Vulkan Ray Tracing.

Graças aos componentes de driver gráfico e gerenciadores/compiladores de memória atualizados, a Intel diz que o Alchemist pode fornecer 15% (ou até 80%, em alguns casos) de rendimento para jogos vinculados à CPU, ao mesmo tempo que melhora os tempos de carregamento em até 25%.

O Alchemist já suporta Unreal Engine 5 e DirectX 12 Ultimate, e a Intel também mostrou uma tecnologia própria de superamostragem chamada XE SS, que é projetada para melhorar a qualidade gráfica ou o desempenho gráfico em até 2x em condições ideais. A Intel clama que o SDK para XE SS estará disponível para desenvolvedores ainda este mês.

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Nova IPU

Ao ir além dos produtos de computação de consumo tradicionais, a Intel também introduziu sua nova IPU (unidade de processamento de infraestrutura). O primeiro produto dessa linha é chamado de Mount Evans. E para gráficos empresariais, a Intel detalhou a nova GPU Ponte Vecchio, que a empresa afirma oferecer desempenho de IA recorde da indústria e até 45 TFLOPS de taxa de transferência FP32, com o chip baseado no processo N5 mais avançado da TSMC.