No mais novo episódio de “Com qual ideia maluca Elon Musk quer mudar o mundo essa semana?”, a empresa do bilionário pediu permissão oficial da FCC (análoga da Anatel nos EUA) para começar a testar satélites do que pode se tornar uma internet global.

Rumores da ‘espaçonet’ começaram a circular em janeiro, quando a Businessweek noticiou sobre os planos da SpaceX de cobrir cada ser humano com um glorioso lençol de Wi-Fi de alta velocidade.

Basicamente, Musk quer usar um foguete Falcon 9 para lançar uma constelação de pequenos satélites na órbita terrestre baixa, para enviar sinais de internet para todos os cantos do planeta. A internet espacial poderia então levar internet a áreas urbanas e suburbanas, além dos bilhões de pessoas que não possuem acesso até então.

Isso, pelo menos, é o plano. E com o novo registro do FCC — que permitiria à SpaceX testar antenas em seus satélites e determinar se elas são capazes de enviar sinais para a Terra — os planos de Musk começam a tomar forma. Com a permissão da FCC, caso ela venha, a SpaceX poderá começar a lançar satélites já no começo do ano que vem. E se tudo der certo, o serviço de espaçonet poderá ser iniciado em cerca de cinco anos.

Existe um grande problema com o qual a SpaceX terá que lidar: o preço. Lançar satélites em órbita terrestre baixa faz sentido em uma perspectiva de velocidade: isso reduz a latência, o tempo de atraso que torna internet de satélites normais (os quais envolvem satélites muito maiores posicionados em locais muito mais altos) muito mais lenta que conexões de fibra ótica, por exemplo.

Mas há um porém: o sinal de satélites em órbita terrestre baixa não vão cobrir uma área muito grande do planeta. Por isso é necessária uma grande quantidade de satélites. Quatro mil, de acordo com os cálculos de Musk.

Como discutido pela Wired, construir e lançar quatro mil satélites, mesmo em órbita terrestre baixa, pode ser algo muito, muito caro. Inclusive, Bill Gates possuía um projeto muito parecido de internet enviada do espaço nos anos 1990, que foi cancelado quando o orçamento saiu fora de controle. E quando falamos de criar um serviço acessível a consumidores de países em desenvolvimento, não é preciso nem dizer que ele tem que ser muito barato.

Teremos que aguardar para ver se a SpaceX obterá sucesso com o projeto. Boa sorte, Elon.

Foto de capa: SpaceX