O vídeo assustador que você está prestes a assistir captura o momento no qual um parasita da malária invade uma hemácia – a célula vermelha do sangue humano. Esta é a primeira vez que tal evento foi registrado como imagens em movimento.

O parasita Plasmodium responsável pela Malária é transmitido através da picada de um mosquito infectado, e estima-se que mata cerca de 1 milhão de pessoas ao redor do mundo por ano.

Jake Baum e seus colegas do Instituto de Pesquisa Médica Walter e Eliza Hall em Melbourne, Austrália, usaram microscopia eletrônica de transmissão e Microscopia imunofluorescente 3D para registrar uma série de imagens paradas durante a invasão que durou 30 segundos e combinou as imagens em um vídeo.

Para aumentar suas chances de capturar um parasita Plasmodium no momento do ataque à um glóbulo vermelho do sangue, o time controlou o processo usando duas drogas. A primeira – heparina – previne que o parasita entre em uma nova célula vermelha do sangue, enquanto a segunda – E64 – previne que ele saia. Cronometrar cuidadosamente os tratamentos significava que “nós sabíamos que iríamos ter um grande número de eventos de invasão”, diz Baum

O parasita produz uma proteína chamada de proteína da membrana do eritrócito 1 e usa isto para ligar-se e penetrar nas células vermelhas, diz Baum. “No começo da invasão é apenas um ponto, conforme o parasita entra na célula, ela se torna um belo círculo, e então a proteína fica atrás do parasita.”

O vídeo mostra que a invasão não é um processo bem ordenado, como se pensava, diz Baum. “A conexão inicial usando a proteína da membrana é a chave principal, e depois disso o parasita começa a fazer tudo de uma vez.” Simultaneamente, ele libera um vacúolo para viver dentro e dá início ao complexo motor que permite que ele se mova dentro da célula.

Kiaran Kirk da Universidade Nacional da Austrália em Canberra diz que a “preparação inteligente das células e um microscópio incrível” foram “uma grande façanha”.

O vídeo pode ter implicações no tratamento da malária também, Leann Tilley da Universidade La Trobe em Melbourne, Austrália, diz que os resultados confirmam que interferir com a principal conexão poderia impedir que os parasitas entrassem em hemácias e assim “parar a doença”.

Artigo de referência: Cell Host & Microbe, DOI: 10.1016/j.chom.2010.12.003

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