Os últimos números divulgados pela IDC referentes ao quarto trimestre de 2010 fecham o ciclo de medições do primeiro ano da nova era de tablets. Os números são surpreendentes: foram 18,2 milhões de tabletes vendidos. Se Jobs disse que a Apple dominou 90% do mercado, ele pode ter errado, mas por pouco. O primeiro iPad foi responsável por 83% das vendas. E os analistas acreditam que a história se repetirá em 2011.

O crescimento de vendas do terceiro para o quarto trimestre superou as expectativas do IDC. Com aumento de 124%, o natal de 2010 rendeu 7,3 milhões de iPads vendidos e 2,8 milhões de tablets dos concorrentes. Dos 10,1 milhões de aparelhos, 17% deles, ou 1,7 milhão, são Galaxy Tabs da Samsung, o primeiro aparelho que se propôs a enfrentar o iPad.

A expectativa inicial é de que o iPad 2 tenha um terreno mais lamacento pela frente, já que agora há uma gama enorme de concorrentes inundando o mercado. Porém, uma pesquisa feita pela consultoria ChangeWave em fevereiro, antes do lançamento do novo tablet, indica que 82% dos potenciais consumidores planejam comprar um iPad nos próximos 90 dias. Os concorrentes Xoom, Galaxy Tab e PlayBook juntos somam 10% (gráfico do topo).

Assim, nada mais natural ouvir de analistas, como Sarah Rotman, da Forrester, que a Apple deverá manter o market share de tablets na casa dos 70% a 80%. O argumento de Sarah é que apesar de apresentar hardware equivalente ou até superior, nenhum dos concorrentes foi capaz de criar uma combinação palpável de conteúdo, canais e formatos de venda — áreas em que a Apple reina com sua iTunes Store, App Store e contratos com gigantes de vendas nos EUA.

e-Readers ficam para trás. E agora, Amazon?

Um dos números mais surpreendentes da pesquisa da IDC diz respeito aos e-Readers. Enquanto os tablets viviam seu primeiro ano, ou uma fase de testes com usuários, os leitores de e-books como o Kindle e o Nook já tinham um mercado consolidado. Isso não impediu que os e-Readers vendessem apenas 12,8 milhões de aparelho, número baixo ante os tablets. Mesmo assim, a Amazon recuperou espaço com o Kindle 3 e ficou com 48% do mercado.

Sarah Rotman, inclusive, especula uma possibilidade interessante: para ela, a única empresa que poderia enfrentar o iPad hoje é a Amazon, que combinaria sem dificuldades hardware e software ao seu sistema de vendas:

A Amazon pode criar um tablet competidor baseado em Android ou Linux que ofereça fácil acesso à loja da Amazon — incluindo a próxima versão da loja de aplicativos do Android — e detalhes únicos que a Amazon tem, como compras com um clique, o serviço Amazon Prime e seu sistema de recomendações.

Assim, mesmo com o provável crescimento do Android em 2011, os analistas acreditam que só um bom hardware e a liberdade do sistema não serão páreos para o iPad 2. A falta de conteúdo, o caos do Android Market e a  atual falta de interesse dos desenvolvedores para desenvolver para o Android 3.0 ainda são os maiores obstáculos. Mas quem sabe a Amazon não nos surpreende, não é mesmo? [Ars Technica]