O governo da Itália tomou as medidas mais drásticas fora da China para conter a disseminação do novo coronavírus no domingo (8), anunciando que isolaria grande parte de sua região norte. As regras restringem o movimento de aproximadamente 16 milhões de pessoas.

A Itália está enfrentando o pior surto de coronavírus da Europa, com 5.883 casos e 234 mortes até domingo (8), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com o New York Times, o primeiro ministro do país, Giuseppe Conte, disse que a Itália está enfrentando uma emergência nacional. Ele afirmou que as medidas eram “muito rigorosas”, mas necessárias para conter o surto e aliviar o fardo do sistema de saúde italiano.

As restrições permanecerão em vigor até 3 de abril. A CNN relata que aqueles que não cumprirem as medidas poderão pegar até três meses de prisão e pagar uma multa de € 206 (aproximadamente US$ 230).

“Este é um momento de auto-responsabilidade”, disse Conte.

O primeiro-ministro disse que haveria uma “obrigação” de evitar movimentações dentro e fora do território norte, uma das maiores regiões da Itália e uma parte crítica da economia.

Em 8 de março, a Praça San Marco, na Itália, estava completamente vazia. Foto: Marco Di Lauro/Getty Images

As pessoas que vivem no território isolado, que inclui cidades de renome como Milão e Veneza, também não poderão circular livremente. Conte disse que as pessoas vão precisar de permissões especiais para viajar dentro ou fora das regiões isoladas para emergências familiares ou de trabalho, acrescentando que a polícia vai parar viajantes e perguntar-lhes por que eles estão deixando as áreas em quarentena.

A Itália também anunciou novas medidas com efeitos além da região norte, incluindo fechamentos em todo o país de museus, cinemas, discotecas e casas de apostas. Esses locais já haviam sido fechados no norte da Itália para conter o surto. Não são permitidas conferências para médicos e outros profissionais de saúde.

Funerais e eventos culturais também são proibidos. Em público, as regras exigem que as pessoas estejam pelo menos a um metro de distância em eventos esportivos, bares, igrejas e supermercados. Embora as igrejas possam permanecer abertas, elas não podem realizar missas.

Quando as notícias das novas medidas restritivas vazaram para a imprensa no sábado, centenas de pessoas no norte da Itália deixaram a região para evitar ficarem presas, informou o POLITICO Europe.

Apesar das medidas drásticas tomadas pelo governo italiano, houve indicações de que o vírus está se espalhando para fora da região norte. No sábado, Nicola Zingaretti, líder do Partido Democrata da coalizão governista, disse ter sido infectado pelo COVID-19. Zingaretti mora em Roma.

“Bem, ele chegou”, disse Zingaretti em um vídeo no Facebook. “Eu também estou com coronavírus.”

[The New York Times]