Semana passada, o mundo ficou estupefato com a história do satélite com lagartixas fazendo sexo que perdeu contato com a Rússia após ser atingido por detritos espaciais. Aparentemente, foi um chamado para despertarmos sobre um problema que nos afetará enquanto espécie: o Japão anunciou a criação de um programa voltado a monitorar o lixo espacial, uma empreitada militarizada que irá lutar no “quarto campo de batalha”.

O lixo espacial é um problema muito pior do que você pode imaginar. Há cerca de 3 mil pedaços individuais de sujeira orbitando a Terra neste exato momento, o que torna todos eles, em essência, armas randômicas — como representado artisticamente na ilustração acima, que é uma visão exagerada do problema. Mesmo assim, é uma situação incrivelmente perigosa tanto para astronautas no espaço quanto para países em terra que precisam de satélites que estão no ar, para não falar dos bilhões de dólares gastos para colocá-los lá em cima.

Nenhum país ou agência se delegou a responsabilidade sobre este problema cada vez maior, mas parece que o Japão está decidido a dar um passo adiante e assumir o controle. Em janeiro, eles anunciaram um plano para lançar uma rede de coleta de lixo espacial em 2019. Agora, o país está criando uma força inteiramente militarizada para monitorar e controlar o campo de detritos a partir do solo. Segundo o South China Morning Post, o Ministério da Defesa do Japão irá comandar o programa, adquirindo um telescópio em Okayama e os equipamentos de radar para a tarefa, com a ajuda da JAXA (Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial).

Neste momento, o que nós sabemos é que esta nova força irá rastrear o lixo e compartilhar estas informações com os Estados Unidos. Outra meta principal é monitorar as atividades militares no espaço, e isto também será compartilhado com o Comando Estratégico dos EUA. Em outras palavras, este é nosso primeiro passo em direção a um espaço militarizado. Mas o que nós ainda não sabemos é como o Japão irá lidar com os detritos que encontrar. Há dezenas de propostas para removê-los da órbita, incluindo a própria ideia japonesa de retirá-lo usando uma vasta rede magnética, mas nenhuma delas foi testada.

O Grande Desastre do Sexo Espacial das Lagartixas de 2014 pode não ser a única coisa que está motivando o Japão. Na verdade, o país está se investindo em sistemas de defesa espacial de maneira semelhante ao que acontece na Terra, já que os japoneses estão reforçando seus programas de mísseis de defesa em retaliação ao crescimento das atividades militares na China. O SCMP nota que o incidente de 2007, quando a China acertou um dos seus próprios satélites usando um míssil —o primeiro em sistemas de combate espaciais—, pode ter sido o empurrão que o Japão precisava para começar a pensar seriamente num programa militarizado com foco no espaço.

No ano seguinte ao episódio, o Japão mudou suas leis para permitir a criação de uma “força espacial”. Agora, estamos vendo a forma desta força surgir, após seis anos de trabalho. [SCMP; IBTimes]

A imagem acima é a representação artística dos detritos espaciais, não uma foto real. Créditos: AP Photo/ESA.