Seis meses depois de anunciar que iria romper com a Comissão Baleeira Internacional (IWC, na sigla em inglês), o Japão retomou oficialmente a caça comercial de baleias. A partir de agora será autorizada a caça comercial de centenas de baleia, desafiando a moratória da IWC sobre esta prática.

O Japão não permite a caça das baleias há mais de três décadas, embora tenha matado milhares alegando fins de investigação científica.

As autoridades mencionaram a iniciativa de abandonar a IWC como uma decisão cultural e econômica. A Agência de Pesca do Japão está associando o movimento como parte de uma “política básica de promoção do uso sustentável dos recursos vivos aquáticos com base em evidências científicas”.

Durante uma cerimônia para comemorar o retorno do Japão à caça esta semana em Kushiro, Hokkaido, o diretor da Agência de Pesca, Shigeto Hase, disse que “mesmo que esses recursos possam ser usados de forma sustentável, e mesmo que seja óbvio que as culturas alimentares de cada país devem ser respeitadas, não conseguimos ver um caminho possível a partir da visão dos países que enfatizam a proteção apenas das baleias”, informou o E&E News.

A IWC é um grupo internacional criado com o propósito de conservar as baleias em todo o mundo, do qual faz parte a maioria das nações. Desde 1986, a IWC tem tido uma moratória sobre a caça comercial de baleias.

A entidade, no entanto, concede licenças especiais para a caça de baleias para fins científicos, uma espécie de brecha que o Japão tem sido acusado de explorar há décadas.

Após o anúncio feito pelo Japão em dezembro, o Secretário do Conselho de Ministros, Yoshihide Suga, afirmou em um comunicado que o país “continua comprometido com a cooperação internacional para a gestão adequada dos recursos marinhos vivos”.

Suga disse ainda que qualquer atividade baleeira seria realizada dentro dos parâmetros do direito internacional e dos limites de captura, bem como dentro do seu mar territorial. Suga disse que o Japão limitaria mais a caça de baleia que é realizada no Oceano Antártico e no Hemisfério Sul para fins de pesquisa.

Em dezembro, o Greenpeace criticou a decisão do Japão de abdicar de seus compromissos com a IWC, alegando que seu governo tentou esconder o anúncio durante as festas de final de ano.

Sam Annesley, diretor executivo do Greenpeace no Japão, contestou a afirmação do governo de que as populações de algumas espécies de baleias já não estão mais ameaçadas de extinção e são abundantes, dizendo em um comunicado que a maioria das populações “ainda não foram recuperadas [da superexploração], incluindo baleias maiores, como baleias-azuis, baleias-comum e baleias-sei”.

Hisayo Takada, diretor de programas do Greenpeace no Japão, disse em um comunicado no mês passado que, embora a organização elogie o Japão por acabar com suas práticas de caça de baleias na Antártida, este é um “momento crítico para a proteção dos oceanos”.

As baleias-sei estão entre os três tipos de baleias que podem ser caçadas, juntamente com as baleias-anã e as baleias-de-bryde.

De acordo com números fornecidos na segunda-feira (1º) pela Agência de Pescas, 25 baleias-sei, 52 baleias-anã, e um número impressionante de 150 baleias-de-bryde poderão ser capturadas até o final do ano – no total, 227 baleias ao longo de um intervalo de apenas seis meses. A Lista Vermelha da IUCN categoriza as baleias-sei como ameaçadas de extinção”.

A Humane Society International divulgou na segunda-feira uma crítica mordaz à “pesquisa” do Japão e apelidou suas práticas de caça de baleias como desumanas.

“Esta é uma violação monstruosa das normas globais”, disse em comunicado a presidente da Humane Society International, Kitty Block. “Em violação direta das normas e leis internacionais, o Japão abriu uma nova e infame era de caça pirata à baleias. Abandonando sua farsa de décadas de arpoar baleias sob o disfarce da ciência, o país revelou uma terrível verdade – que essas doces gigantes do oceano estão sendo abatidas sem nenhuma razão legítima”.