O governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, emitiu uma nova ordem executiva que proíbe empresas sediadas no país de investirem em 59 companhias de tecnologia com origem na China. A decisão segue uma outra ordem executiva da gestão anterior, quando o então presidente Donald Trump impediu que entidades chinesas comprassem tecnologias fabricadas nos EUA.

Em comunicado publicado pela Casa Branca no último dia 3 de junho, a administração Biden afirma que a nova ordem executiva foi projetada para enfrentar ainda mais a “ameaça em curso representada pelo complexo militar-industrial da República Popular da China (RPC)”. Também destaca que cidadãos e empresas com sede nos EUA não podem investir ou “se envolver na compra ou venda” de negócios que envolvam as quase 60 entidades mencionadas.

A Casa Branca diz que o desenvolvimento contínuo de tecnologia chinesa, em especial aquela com foco em vigilância, e a implantação desses recursos em países fora da China representam um risco para a segurança nacional, ao mesmo tempo que facilitam a repressão ou o abuso dos direitos humanos.

As 59 empresas que foram inclusas na lista do governo estadunidense vão desde organizações chinesas de defesa e aviação até vigilância e tecnologia. Todas elas, segundo os EUA, supostamente apoiam o complexo militar-industrial chinês. O número de companhias pode aumentar, uma vez que o governo Biden já sinalizou que verifica constantemente novas empresas de práticas suspeitas.

Além disso, funcionários do governo Biden disseram à Reuters que autoridades estão analisando uma série de políticas anteriores em relação à China que foram estabelecidas pelo governo Trump. Independentemente disso, o objetivo do governo atual continua apenas um: aumentar o alcance da tecnologia dos EUA fora do país, ao mesmo tempo que diminui a participação de empresas chinesas nesses mercados.

Naturalmente, o governo chinês não está feliz com a última ordem executiva dos Estados Unidos. À Reuters, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China disse que “o governo dos EUA está ampliando o conceito de segurança nacional, abusando do poder nacional e usando todos os meios possíveis para suprimir e restringir empresas chinesas”.

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Huawei segue na lista de proibições dos EUA

Apesar de já estar sujeita a uma proibição que a impede de comprar tecnologia feita nos EUA, a Huawei também foi inclusa na nova ordem executiva de Biden, ao lado de outras empresas de tecnologia chinesas influentes, como o China Mobile Communications Group, Hangzhou Hikvision Digital Technology Co Ltd, Semiconductor Manufacturing International Corp, entre outras.

A Huawei, que teve uma ascensão estrondosa até a metade do mandato Trump, viu os negócios ruírem depois que a administração do ex-presidente impôs bloqueios a negociações da companhia chinesa com outras empresas nos EUA. As restrições foram seguidas por outros países, obrigando a Huawei a reformular boa parte de suas operações, incluindo vender a divisão de celulares Honor e criar um sistema operacional próprio, o Harmony OS, uma vez que a companhia não tem mais autorização para usar a versão comercial do Android em seus smartphones.