por Bruno Izidro

Assassin’s Creed Syndicate foi lançado recentemente para PS4 e Xbox One. Ele chegou de mansinho e sem fazer tanto barulho, consequência do problemático e fraco Assassin’s Creed Unity do ano passado. Talvez por essa baixa expectativa, o jogo acaba surpreendendo positivamente em muitos aspectos, corrigindo erros do game anterior e trazendo novidades muito bem-vindas.

A principal dessas novidades é o jogo ter dois protagonistas: os irmãos gêmeos Evie e Jacob Frye. A presença deles adiciona bastante tanto ao enredo quanto à jogabilidade (um é mais porradeiro enquanto a outra é mais furtiva). Além disso, o contexto histórico em que se passa Syndicate – um dos elementos que, por sinal, sempre chama a atenção em Assassin’s Creed – também ajuda a deixá-lo mais interessante: a revolução industrial.

Com uma réplica virtual da Londres vitoriana para explorarmos, o jogo faz muito bem em utilizar as características de mudança tecnológica e social da época para proporcionar diversos tipos de atividades e missões paralelas, desde brigas de rua até assassinatos em locais históricos.

Não por coincidência, foi isso o que mais me fez continuar jogando Assassin’s Creed Syndicate e tomando boas horas de jogatina. Por isso reunimos aqui algumas dessas atividades que certamente farão sua visita à Londres do século XIX bem mais proveitosa.

Guerra de Gangues

Enquanto Leonardo DiCaprio e Daniel Day-Lewis se digladiavam com suas gangues de Nova York, no outro lado do atlântico os irmãos Frye combatiam os templários também com brigas de rua.

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As gangues são um dos aspectos mais presentes e violentos das terras britânicas, até mesmo hoje em dia (com os Hooligans, por exemplo) e Assassin’s Creed Syndicate usa isso como mecânica de conquista de território. Os assassinos têm sua própria gangue, os Rooks, que brigam contra os Blighters – comandados, nas sombras, pelos templários.

Cada região da cidade é comandada por uma facção dos Blighters e ao limpar a influência deles nos locais, é liberado o evento de “Guerra de Gangues”, onde ambos os grupos vão decidir, na porrada, quem vai tomar conta do lugar. Além disso, aqui é onde enfrentamos os líderes de cada facção (que não são templários) no melhor estilo chefe de fase.

Os eventos de gangues estão mais associados a Jacob Frye, pela sua personalidade brigona e impulsiva, além das habilidades dele estarem mais relacionados a força física, mas também é possível completar as atividades de gangue com Evie.

Explorando o Tâmisa

O famoso rio que corta a cidade inglesa não serve apenas como um obstáculo para separar os dois mapas da cidade (como acontecia, por exemplo, com o Estreito de Bósforo em AC Revelations). As embarcações que o atravessam têm atividades para serem realizadas e que se diferem um pouco dos presentes em terra.

As principais são de infiltração em barcos templários para roubar cargas valiosas ou mesmo sabotá-los. Quem jogou Assassin’s Creed IV: Black Flag pode até sentir um pouco de saudade ao escalar os mastros dos navios (pena que os tripulantes não mais entoam as marcantes canções piratas do jogo).

Um detalhe histórico a se notar aqui é na época o Tâmisa era considerado o rio mais poluído do mundo e, no jogo, isso é representado pela coloração barrenta das águas.

Clube da Luta

Voltando às brigas (e filmes), AC Syndicate nos mostra a versão vitoriana do Clube da Luta do longa de David Fincher. As lutas clandestinas estão espalhadas em vários locais de Londres e cada uma possui níveis de dificuldade dos oponentes e número de rounds diferentes.

Um incentivo para querer brigar é que, assim como as demais missões paralelas do jogo, completar as lutas dá recompensas bem valiosas para os irmãos Frye, como armas e itens especiais, o que facilita bastante nas missões principais.

O clube da luta também não é nenhuma novidade na série e já havia aparecido em Assassin’s Creed Brotherhood, mas aqui ela é uma boa oportunidade para treinar seus skills de combate. Aliás, isso sofreu mudanças no novo jogo, principalmente com opções de desvio de golpes, quebra de defesa e as finalizações (bem violentas, por sinal) quando o jogador atordoa mais de um inimigo.

Porém, o melhor mesmo dessa atividade é poder controlar Evie Frye e sair dando sopapos em grandalhões para mostrar que ela pode ser tão forte e perigosa quanto o irmão Jacob.

Os assassinatos dos templários

O aspecto que é o grande objetivo de Assassin’s Creed desde o primeiro jogo (tirando aí Assassin’s Creed Rogue, onde acontece o oposto) e que é a base da jogabilidade da série está um pouco diferente em Syndicate, e para melhor.

Os assassinatos das principais figuras templárias são sempre o ato final de cada capítulo do jogo, e eles oferecem uma experiência bem à parte do resto do game. Tudo porque nelas é preciso explorar a área onde o alvo está para encontrar oportunidades de aproximação. São normalmente três maneiras distintas, cada uma usando métodos diferentes de assassinato. O vídeo abaixo mostra uma dessas fases:

No vídeo, é possível também perceber como funciona o novo equipamento dos assassinos, o lança-cordas, que pode ser usado tanto para escalar prédios bem mais rápido, como também servir de tirolesa entre um prédio e outro, o que facilitou bastante a navegação pelo mapa sem depender tanto do parkour.

Os assassinatos dos templários também são especiais porque, diferente das outras atividades, só é possível realizá-las com um personagem específico, ou Jacob ou Evie, já que estão atrelados à história do jogo.

Passeio de trem

Entre construções importantes como o Palácio de Buckingham e locais turísticos como o Big Ben, os trens a vapor circulavam toda a Londres do século XIX como um dos principais meios de transporte da cidade.

Em AC Syndicate, eles servem não só para locomoção, como um deles é usado como quartel-general móvel dos assassinos. Nele é possível ver os colecionáveis do jogo, o quadro com os templários que você já assassinou e recolher as rendas dos seus negócios pela cidade.

Porém, de tempos em tempos, o que mais me atraía para lá era ficar em cima dos vagões apreciando a Londres belamente representada nos incríveis gráficos do jogo. Além disso, é possível também ativar um modo paisagem, com uma câmera com ângulos diferentes do trem.

Fora essas atividades listadas acima, outras que merecem ser mencionadas são as missões com as figuras históricas, outras marcas da série. Em Syndicate é possível interagir com Charles Darwin, Karl Marx, Alexander “Alek” Graham Bell e até mesmo a vossa majestade rainha Vitória.

Em Assassin’s Creed Syndicate, a Ubisoft não cometeu o mesmo erro do Unity em abarrotar o jogo de missões paralelas desnecessárias e sem inspiração. Algumas ainda estão presentes, como eventos aleatórios para matar bandidos ou pegar ladrões nas ruas, mas como mostramos, o que o novo título traz consegue prender o suficiente. Isso sem falar em ideias que apareceram em Unity e que agora foram expandidas de forma excelente. Sem querer estragar o spoiler, elas envolvem outras épocas históricas.

Vendo por toda essa perspectiva, Assassin’s Creed Syndicate era o jogo que Unity deveria ter sido. Pena que ele chegou com um ano de atraso.


Assassin’s Creed Syndicate está disponível para PS4, Xbox One e em breve para PC. A cópia do jogo para este post foi cedida pela Ubisoft.