Julian Assange teve dois filhos durante seus quase sete anos na embaixada do Equador em Londres, de acordo com um vídeo do YouTube divulgado pelo Wikileaks no fim de semana. O cofundador do Wikileaks foi removido à força da embaixada em abril de 2019 e foi condenado a quase um ano de prisão por não pagar fiança em 2012. O vídeo é um pedido para libertar Assange da prisão de Belmarsh do Reino Unido por motivos humanitários.

Intitulado “Assange Family”, o vídeo mostra uma mulher identificada como Stella Morris e diz que ela e Assange se encontraram em 2011 e “se uniram” em 2015. Morris é um advogada de 37 anos da África do Sul, segundo o tabloide britânico Daily Mail.



“Nos apaixonamos e esta é uma pessoa que eu conhecia bem até então; a pessoa que eu mais conheço neste mundo”, diz Morris no vídeo publicado no YouTube. “Ele é extraordinário. Ele é generoso e é muito terno e amoroso”.

As crianças foram batizadas de Gabriel, 2, e Max, 1. Assange assistiu ao nascimento dos dois filhos por meio de uma chamada de vídeo, de acordo com o Daily Mail e ambos são cidadãos britânicos, de acordo com a Reuters. Morris afirma que alguém tentou “roubar o DNA” do bebê dela, embora não esteja claro imediatamente no vídeo de quem ela estava falando.

“Eles estavam atrás do DNA do meu bebê, mas o que mais eles estavam buscando?”, diz Morris no vídeo. “É em parte por isso que sinto agora, que tenho que…que tenho que fazer isso. Porque tomei tantas medidas ao longo de tantos e sinto que a vida de Julian pode estar chegando ao fim”.

O regime Trump está tentando extraditar Assange para os Estados Unidos por acusações de espionagem e hackeamento. Há uma audiência de extradição em maio, embora Assange tenha dito que está morrendo lentamente, mesmo antes da pandemia do coronavírus se tornar pública. Assange supostamente tem uma condição pulmonar crônica e corre risco de contrair COVID-19, de acordo com sua mãe Christine Assange. Pelo menos um prisioneiro na prisão de Belmarsh morreu devido ao novo coronavírus, e aliados de Assange afirmam que 150 pessoas na instalação poderiam ter sido expostas à doença.

Morris explica que seu conhecimento de sueco e espanhol se tornaram relevantes na luta contra a extradição de Assange para a Suécia por acusações de agressão sexual, bem como no caso de asilo político na embaixada do Equador. As acusações de má conduta sexual na Suécia foram retiradas. Os dois se apaixonaram e Morris diz que iniciar uma família era um ato desafio em condições que parecem de guerra, dada a situação de Assange.

“Formar uma família foi uma decisão deliberada para ver…meio que derrubar aqueles muros ao seu redor. E imaginar uma vida…além daquela prisão”, diz Morris no vídeo.

Morris está claramente sentindo o impacto psicológico da prisão de Assange e o vê como um denunciante sendo perseguido por suas ações políticas.

“Não acho que as pessoas entendam a situação e a pressão extremas que sofremos — porque Julian é uma figura pública, porque tudo nele é digno de notícias, qualquer coisa pode ser usada contra ele e tem sido usada contra ele”, diz Morris no vídeo. “E esse foi um dilema real sobre ter um relacionamento nessas circunstâncias, significa que você tenta isolá-lo e protegê-lo da maneira mais feroz possível”.

Morris disse ao Daily Mail que ela e Assange estão noivos e prestes a se casarem. Não está claro se Assange sabia que Morris faria esse anúncio sobre a existência de seus filhos e seu envolvimento.

Os advogados de Assange alegaram em fevereiro que o regime de Trump se ofereceu para perdoar Assange, se ele negasse que a Rússia tivesse algum papel em invadir servidores do partido democrata durante as últimas eleições presidenciais.

Está bem estabelecido que o governo russo estava por trás do hackeamento de e-mails que ajudaram a influenciar o pleito de 2016 em favor do presidente Trump, mas não está claro se o republicano que apresentou a ideia de perdão em 2017, do representante Dana Rohrabacher, estava agindo com o conhecimento de Trump. Um pouco depois da vitória de Trump em 2016, a conta do Wikileaks no Twitter sugeriu que o filho de presidente Donald Trump Jr tornasse Assange um embaixador.

“De alguma forma, todo mundo falhou com Julian”, diz Morris enquanto chora no vídeo. “Todos falharam com Julian”.