Longe da explosão de luzes e telas, áreas gigantescas, brindes e empresas gigantes no pavilhão principal da CES, pequenas, minúsculas e empolgadas empresas montam seus espaços com divisórias de repartição pública, em carpetes avermelhados em um chique (e brega) hotel de Las Vegas. Eles estão no Eureka Park, uma área que mistura mais do que nunca uma clássica feira de ciências com um dos elementos sociais (e econômicos) mais aclamados do último ano: o Kickstarter.

O Verge fez uma ótima matéria sobre a presença da forte presença do Kickstarter na CES 2013, e podemos confirmar a sensação passada por eles. Se a CES deste ano não revelou muitas surpresas, é possível dizer que algumas das pequenas empresas que fizeram mais barulho foram crias do espírito Kickstarter de ser, com muitos investidores menores por todo o mundo.

O fato é: nenhuma dessas microempresas lançará o novo iPhone, ou um televisor revolucionário, ou uma câmera surreal. Mas no mundo dos acessórios, periféricos e aplicativos, essa mistura de pequenos empresários, gênios e entusiastas pode fazer algo de diferente. Prova disso é a extensa cobertura que dois aparelhos tiveram por aqui: primeiro, o Pebble, o recordista de arrecadação de dinheiro no Kickstarter, com US$10,2 milhões, fez uma abarrotada coletiva de imprensa apenas para dizer que o aparelho começará a ser entregue no fim de janeiro. Depois, o Oculus Rift, um projeto de quintal criado por Palmer Luckey que se transformou no que pode ser uma grande revolução na realidade virtual dos games. Detalhe: nenhum dos dois produtos tinha um estande oficial na CES 2013.

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Mas cruzando os corredores do Eureka Park, com quase 100 expositores de novas traquitanas, a aura do Kickstarter parece estar por todos os lados: aplicativos malucos, ideias de acessórios empolgantes, e até um skate elétrico com sensor de peso — o Zboard, que arrecadou quase US$300 mil no site cada vez mais cheio de apoiadores dispostos a bancarem novas tecnologias.

É bem verdade que pouco do que empolgou no Kickstarter até agora se tornou realidade: há diversas opiniões que dizem que o site é uma fábrica de ilusões, de vaporware que dificilmente irá virar realidade. Mas nesta CES foi possível ver, ao vivo, que há espaço para uma economia média no mundo dos gadgets: longe das empresas gigantes e com metas menores, o sucesso dessas empreitadas é medido em números bem diferentes — em milhares, não em milhões.

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E, se pensarmos que smartphones são hoje os aparelhos que mais movimentam a evolução tecnológica, os ciêntistas malucos do Eureka Park parecem estar no caminho certo: se o periférico não é exatamente ligado aos celulares, ele conversa com apps ou aparelhos, como é o caso do Pebble.

Mais do que pelos chineses, a CES foi invadida de vez pela ideia de vender ideias, um local de encontro entre sucessos e fracassos do Kickstarter — e esse pode ser um bom caminho para a feira, abrindo espaço não só os monstruosos fabricantes e suas tecnologias de ponta, mas para pequenas novidades que podem fazer nossa vida melhor.