A capacidade de rastrear pessoas passivamente em um determinado espaço é o sonho de muitos lojistas (e o pesadelo de teóricos da conspiração). Esses sonhos estão mais próximos de se tornarem realidade com o lançamento de um novo sistema de rastreamento de pessoas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Apresentado no Laboratório de Ciência da Computação e Artificial (CSAIL) do MIT, o sistema funciona de maneira bem parecida com o popular acessório de rastreamento de movimentos da Microsoft, o Kinect. Ambos os sistemas são capazes de acompanhar a localização de um alvo humano através de uma sala sem a necessidade da pessoa segurar um transmissor. O Kinect é um pouco mais preciso do que o protótipo do MIT, sendo capaz de detectar múltiplos alvos e até mesmo ler os lábios, mas o dispositivo do MIT tem a vantagem de conseguir rastrear pessoas do outro lado de uma parede.

O sistema do MIT usa três antenas de rádio apontadas para uma parede e distribuídas com um metro de distância entre elas. Na demonstração abaixo (em inglês), a parede é uma que divide dois escritórios do MIT onde o sistema foi desenvolvido. Ele usa as antenas para triangular a posição de um objeto do outro lado da parede, mostrando a localização como um ponto vermelho no monitor do sistema com uma possibilidade de erro de cerca de 10cm.

Isso é especialmente impressionante considerando que, como o candidato a Ph.D do MIT Fadel Adib explicou ao IT World, “o que estamos fazendo aqui é localizar através de uma parede sem a necessidade de segurar um transmissor ou receptor e simplesmente usando reflexos de um corpo humano. O que é impressionante é a precisão superior até do que em localização Wi-Fi.”

O sistema tem alguns obstáculos a superar antes de poder ser levado ao mercado. O primeiro deles é a incapacidade de rastrear mais de uma pessoa de uma vez. Atualmente os pesquisadores precisam ficar a cerca de um metro de distância para evitar interferência. Estranhamente, mais de uma pessoa pode ficar na mesma sala que está sendo monitorada, mas apenas uma pode se mexer – as outras precisam permanecer paradas para não confundir a máquina. A equipe espera melhorar a capacidade de rastreamento do sistema para lidar com múltiplos alvos e mostrá-los ao menos como silhuetas, como o Kinect faz, nas próximas versões do software. O dispositivo, do tamanho de uma mesa, também precisa diminuir antes de entrar em produção em massa.

Os pesquisadores do MIT acreditam que uma versão comercial da tecnologia pode encontrar espaço em lojas onde os proprietários querem rastrear quantas pessoas visitam e observam certos produtos, ou em asilos que precisam rastrear residentes e alertar o staff caso alguém passe mal ou pare de se mexer por um longo período de tempo. “Temos agora um algoritmo inicial que pode nos dizer se uma pessoa está parada e respirando,” explicou Adib. E, em casas, teoricamente ele poderia ser usado como monitor de segurança. O problema é que, agora, ele só funcionaria se apenas uma pessoa invadisse a casa. [PC World – IT World]