Nós já vimos robôs controlados pelo Kinect antes, mas nunca vimos robôs com tarefas tão importantes assim. Um grupo de estudantes de engenharia da Universidade de Washington estão usando o periférico da Microsoft para guiar as ações de robôs cirurgiões.

Cientistas e engenheiros vêm trabalhando há anos em métodos para integrar a tecnologia dos videogames com robôs controlados por humanos, que são utilizados cada vez mais para praticar operações delicadas ou muito pequenas para as mãos humanas.

O problema com robôs cirurgiões é que mesmo oferecendo uma precisão extrema, não há sensação tátil para o médico que está operando os pequenos braços robóticos. Se um bisturi atinge uma veia exposta, por exemplo, o operador não sente a sutil colisão.

“Em cirurgias utilizando robôs, os cirurgiões ainda não tem a sensação do toque”, diz Howard Chizeck, professor de engenharia elétrica da universidade. “O que estamos fazendo é usar essa sensação de toque para dar informações ao médico, como ‘é melhor você não ir por aí’”.

Engenheiros têm trabalhado para integrar a tecnologia de resposta – o force feedback – em robôs, traduzindo os pequenos acidentes em um aviso para o operador.

Os estudantes de engenharia da Universidade de Washington tiveram uma ideia ainda melhor.

O estudante de engenharia elétrica Fredik Ryden criou um software que permite que o Kinect crie mapas tridimensionais do corpo do paciente.

Para fazer a tecnologia de resposta trabalhar de forma correta, o sistema precisa de um tipo de frame de referência para avisar o médico quando o robô atinge um osso ou pode vir a cortar o pâncreas do paciente. No projeto original, a equipe pretendia usar scanners de tomografia para gerar as informações, mas em pouco tempo eles tiveram a ideia de usar uma câmera com noções de profundidade para criar uma imagem ainda mais precisa, medindo a luz infravermelha refletida na superfície. Em dezembro, eles decidiram usar o Kinect, da Microsoft, por razões óbvias.

“Ele é ótimo para demonstrações porque tem custo baixo e é muito acessível”, diz Ryden, que desenhou o sistema em um fim de semana. “Os drivers já estão disponíveis, e é só acessá-los para pegar as informações. É muito fácil e rápido fazer um protótipo porque a Microsoft já disponibilizou e criou todas as ferramentas necessárias”.

A equipe diz que sem o Kinect o projeto custaria aproximadamente 50 mil dólares.

E o Kinect não permite apenas a criação de dados extremamente precisos e do uso da tecnologia de resposta. Os médicos também poderão definir a área inteira da operação, criando um campo de força ao redor das regiões que as ferramentas dos robôs não podem ultrapassar.

Ainda existem obstáculos a serem superados. A equipe precisa integrar a tecnologia com padrões de robótica, aumentar a resolução do vídeo, e diminuir a escala dos sensores para atingir o ponto apropriado para o uso cirúrgico. Mesmo assim, é um início promissor para uma tecnologia capaz de salvar vidas utilizando um aparelho criado para nos deixar pulando como idiotas na frente da TV.

[The Daily of the University of Washington]