O Kyocera Echo é o celular mais bizarro que já vi. Por dentro, ele é comum, mas por fora, é uma combinação completamente bizarra e mutante de duas telas, um formato de Nintendo DS com função de iPad. Ele fracassa nos dois. Ele é estranhamente ruim.

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Onde ele poderia se deliciar na sua estranheza, ele fracassa por causa dela. Se você coloca uma segunda tela do mesmo tamanho num celular, é bom que ela faça algo que valha a pena. Mas a tela dupla do Echo não faz nada além de olhar pra você de volta, com a chatice de um menu. Mais espaço para e-mail. Mais espaço para contatos. Ele é lento. Desperdiça recursos. Ele, basicamente, são dois Androids costurados juntos por alguma cirurgia perversa de design. As tentativas do Echo de usar a segunda tela são fracas, sem ousadia, e no geral… irrelevantes. Além de irrelevantes, na verdade, porque a interface é onde o celular poderia ter se redimido. Duas telas. Duas telas! Provavelmente é uma jogada de design duvidosa por si só, e sim, ele iria (e vai) destruir a duração da bateria, mas ter duas telas poderia ser algo no mínimo interessante. Em vez disso, a gente só se pergunta: por quê?

Por que eu quero ter uma janela de navegador e minha caixa de entrada abertos ao mesmo tempo? Eu até tenho duas telas, mas tenho só dois olhos, e eles vão querer ler a mesma coisa ao mesmo tempo. Em vez de um cliente de e-mail maior, de duas telas, faça um cliente de e-mail melhor. Em vez de um app de YouTube que permite colocar vídeos na fila enquanto você assiste um, faça um app que responda a gestos. Por que não posso usar uma das janelas como um teclado de toque, a menos que ele esteja virado na tosca posição horizontal, como um laptop? E por que, por que eles não pensaram mais nos jogos? Um Nintendo DS com Android poderia ser… um produto matador.

Eu admito que usar o Google Maps em duas telas é bastante atraente (e legal de usar!), mas a lista de apps que podem ser divididos em duas telas é pequena demais: só mensagens de texto, e-mail, navegador web, telefone, galeria de fotos, contatos, e o já mencionado cliente de YouTube. Não é o bastante para justificar a tela dupla. Não chega nem perto, na verdade.

A única coisa que este aparelho com Android 2.2 tem de vantagem são suas duas telas de 3,5 polegadas. Ficando lá, sem fazer nada. No modo padrão, o Echo tem a aparência e dá a sensação de um smartphone normal com Android. Mas ele se abre (e é surpreendentemente firme, não parece que vai quebrar quando você o abre na décima vez), expondo sua segunda tela. Uma vez aberto, deixe-o na posição do que a Kyocera chama de tablet. Ele é retangular e usa eletricidade, mas além disso não tem nada em comum com um tablet de verdade. Mesmo quando desdobrado em seu modo Optimus Prime, ele é só um celular com Android e duas telas. Nas especificações, ele é respeitável, mas não adota o hardware que veremos mais e mais em 2011. Ele tem processador Snapdragon de 1GHz, câmera de 5 megapixels, filma em alta definição (720p)… Se a Kyocera quisesse tornar o Echo algo especial, eles poderiam ter feito o aparelho ser tão louco nas especificações como é na aparência: um monstro dual-core que se alimenta de mídia e jogos. Mas ele é só um rato de laboratório com cromossomos demais.

O Echo confunde tamanho com capacidade, acha que com o dobro de espaço, você terá o dobro da experiência. Mas é só o dobro… da tela. É só mais vidro. Multitarefa – um termo que a Kyocera está repetindo ad infinitum quando fala deste aparelho – será que precisamos de duas telas para isso funcionar direito? Pior: eles cunharam as palavras “hipertarefa” e “simultarefa”, que ganham o prêmio de termos marqueteiros mais idiotas que já vi neste planeta. Inventar palavras não enche as telas com nada relevante.