Você ama Oreos? E miojo?

Todos esses lanches tornaram-se alvos na última campanha da Rainforest Action Network (RAN) contra o cultivo de palma para extração de óleo. A organização publicou uma investigação neste domingo criticando as principais empresas do ramo por seu papel na crise de desmatamento da Indonésia, alimentada pelo aumento da demanda por óleo de palma.

A Nestlé, a PepsiCo, a General Mills e a Hershey’s estão entre as empresas que a organização sem fins lucrativos alega que provavelmente adquirem seu óleo de palma de terras desmatadas na Rawa Singkil Wildlife Reserve, que abriga espécies criticamente ameaçadas, como o tigre de Sumatra, o elefante de Sumatra e o rinoceronte de Sumatra.

Esta reserva não apenas abriga criaturas raras, mas também um antigo ecossistema de pântanos que tem grande capacidade de absorver dióxido de carbono da atmosfera.

Infelizmente, esses depósitos de solo ricos em carbono estão rapidamente se tornando fontes de carbono, em vez de absorvedores de carbono, devido ao desmatamento. Isso inclui a região de Singkil-Bengkung, em Sumatra, na Indonésia, o foco da mais recente investigação da Rainforest Action Network. Isso é preocupante diante do agravamento da crise climática — e extremamente relevante, já que os incêndios florestais em curso na Indonésia estão tornando o céu vermelho.

A organização conduziu investigações de campo no início deste ano, incluindo entrevistas com a equipe de algumas das fábricas de óleo de palma em questão. A Rainforest Action Network descobriu que uma empresa em particular, a CV. Buana Indah, estava comprando óleo de palma cultivado ilegalmente em um local desmatado em 2013.

A ONG, então, seguiu caminhões que transportavam o óleo de palma para uma usina próxima que a PT. Global Sawit Semesta opera, e que fornece óleo de palma à Golden Agri Resources e à Musim Mas, grandes fornecedores de óleo de palma. A RAN também recorreu aos registros de transações para identificar os participantes dessa complicada rede de compradores e vendedores.

Cadeias de suprimentos podem ser complicadas. É isso que torna tão difícil para as empresas evitar conflitos de óleo de palma. A Nestlé, por exemplo, prometeu em 2010 encerrar o desmatamento em sua cadeia de suprimentos até o próximo ano. Muitas outras empresas também estão tentando concretizar esses compromissos, disse Kemen Austin, analista sênior de políticas da RTI International, ao Gizmodo.

“Elas realmente estão se esforçando para cumprir com sua palavra”, disse ela.

Mas fazer isso é difícil. Os fornecedores podem mudar a cada estação ou a cada ano. E embora as empresas geralmente possam analisar muito bem as usinas, elas nem sempre conseguem chegar ao fundo de onde elas estão comprando seu óleo de palma.

Como mostra essa investigação, fazer isso pode exigir que perguntas sejam feitas no local ou seguir secretamente alguns caminhões obscuros. Seria de se esperar que essas empresas multinacionais tivessem os recursos necessários para realizar esse tipo de trabalho, especialmente se uma organização sem fins lucrativos foi capaz.

A Rainforest Action Network não deixa de mencionar isso em seu relatório:

“O fato de ser necessária uma investigação conduzida por uma ONG para expor que essas grandes marcas globais ainda estão ativamente adquirindo óleo de palma de fontes ilegais, anos após cada uma delas ter emitido políticas públicas comprometendo-se explicitamente a interromper o contrato com fornecedores que destroem florestas tropicais e pântanos ricos em carbono, sinaliza um grande fracasso dos esforços de implementação realizados até o momento por essas empresas. A confiança do consumidor é compreensivelmente prejudicada quando fica claro que essas empresas internacionais de bilhões de dólares continuam a não realizar os investimentos e as intervenções necessárias para reformar suas cadeias de suprimento de óleo de palma para impedir que esse tipo de violação de suas próprias promessas ocorra.”

Consumidores têm o poder de efetuar mudanças nessa área. A conscientização é o motivo pelo qual o óleo de palma já ganhou tanta atenção, disse Austin. Ela sugeriu que os amantes de lanchinhos precisam continuar dando o alarme se quiserem desfrutar de suas guloseimas sem culpa por estar destruindo o habitat essencial dos orangotangos. Em última análise, no entanto, as empresas precisam se esforçar mais. O futuro do planeta depende disso.