Há alguns anos, a agência de design Lew’Lara\TBWA criou um jogo de peças no estilo do Lego que recriava os padrões do alfabeto em braille. Era uma maneira tão inteligente de ajudar e encorajar crianças cegas ou com deficiência visual a aprender braille que agora a Lego vai lançar oficialmente uma coleção desse tipo.

A Lego diz que a Fundação Dorina Nowill para Cegos liderou a iniciativa há alguns anos (e que mantém o projeto disponível sob uma licença Creative Commons) e propôs oficialmente a ideia à fabricante de brinquedos em 2017. Desde então, a companhia tem trabalhado com associações na Dinamarca, Reino Unido, Noruega e Brasil para criar uma versão oficial do produto.

Protótipos dos conjuntos Braille Bricks, que possuem cerca de 250 peças representando o alfabeto, os números de zero a nove e símbolos matemáticos selecionados, estão sendo testados atualmente em português, inglês, dinamarquês e norueguês. Ainda este ano, as versões francesa, espanhola e alemã também serão testadas, antes do lançamento oficial do produto em 2020.

Esse conjunto de peças não será encontrado em lojas de brinquedos. Isso porque a companhia irá disponibilizá-lo em instituições dedicadas a ajudar os cegos e deficientes visuais, e serão distribuídos gratuitamente.

Aprender com Lego é bem mais divertido e é fácil vislumbrar como essas peças podem tornar a aprendizagem do braille muito mais fácil para as crianças. Além disso, será mais fácil de corrigir erros, uma vez que as ferramentas para escrever em braille geralmente fazem marcações no papel e não podem ser apagados. Já os Braille Bricks são montadas sobre uma placa base e podem ser reorganizados facilmente.

O próximo passo para a Lego seria encontrar uma maneira de tornar todos os seus conjuntos de construção acessíveis para pessoas cegas ou deficientes visuais. As peças do brinquedo são relativamente fáceis de distinguir usando apenas o sentido do toque, mas são os manuais de instruções, que se baseiam quase exclusivamente em imagens, que representam o maior desafio.

Foram feitas algumas tentativas para tornar os conjuntos Lego mais acessíveis. Há algum tempo, um aluno cego do ensino médio dos EUA ajudou a desenvolver uma notação especial que explicava cuidadosamente qual seria a próxima peça necessária, sua orientação e onde ela precisava ficar na construção geral. Mas, infelizmente, essas instruções especiais só foram disponibilizadas em alguns conjuntos.