Os maiores destaques da Lenovo na CES 2010 foram provavelmente o híbrido de notebook e tablet IdeaPad U1 e o smartbook Skylight. O Giz US testou rapidamente os dois aparelhos no evento.

O IdeaPad U1 são dois dispositivos em um. Separada do teclado, a tela vira um tablet com chip ARM Qualcomm Snapdragon a 1 GHz rodando Linux; conectada com o resto do máquina, ela exibe a interface do Windows 7 rodando em um processador Intel Core 2 Duo SU 4100. O equipamento tem conectividade Wi-Fi, 3G e Bluetooth.

Mesmo com o IdeaPad U1 ainda em fase de desenvolvimento, Brian Barrett não escondeu sua empolgação: “Será fantástico – se conseguir corresponder ao seu potencial”.

De acordo com Barrett, a tela resistiva de 11,6 polegadas e 1.366 x 768 de resolução oferece boa imagem, mas o ângulo de visão deixa a desejar. A sensibilidade ao toque é razoável, mas poderia ser melhor. Já o teclado e o touchpad funcionam bem.

A qualidade do áudio impressiona – não chega ser excelente, mas é melhor do que o esperado. Barrett lamenta a falta de portas no tablet – a única conexão aparentemente é a que liga a tela ao teclado do notebook. Não há nem mesmo saída para fone de ouvido. Outra queixa é a falta de acelerômetro, pois sem ele não há orientação automática de documentos ou imagens de acordo com a posição do tablet.

Ao separar a tela do teclado, há um lag de dois ou três segundos até o tablet começar a funcionar. A interface exibe seis painéis de aplicativos – a seleção é limitada, mas a Lenovo em breve deve abrir o SDK para desenvolvedores.

Outro modo de visualização permite distribuir o conteúdo por tipo – música, vídeo, imagens, documentos. A interface multitouch permite alternar rapidamente entre cada conteúdo e ajustar o espaço da tela ocupada por eles.

Um recurso que parece interessante e que pode melhorar muito é a integração entre os modos tablet e notebook. Ao separar a tela do teclado, o tablet “lembra” qual site o usuário visitava no notebook e carrega-o automaticamente (e vice-versa). O problema é que, por enquanto, essa transição automática só ocorre com páginas da web.

As limitações do IdeaPad U1 podem ser diminuídas ou eliminadas até o seu lançamento, em junho, por US$ 999. Diante de tanto potencial, porém, Barrett pede para que a Lenovo não tenha pressa.

O Skylight é um smartbook baseado na plataforma Snapdragon, com conexão Wi-Fi e 3G, tela de 10,1 polegadas e menos de 1 kg de peso – Barrett diz que é mais ou menos como segurar um frisbee. A construção é aparentemente resistente, e o teclado e o touchpad têm bom tamanho.  Outras características incluem saída HDMI e oito horas de bateria.

Barrett diz que o aparelho tem 8 GB de “memory kernel para manter as coisas rodando” e um stick USB de 4 GB “no qual você pode armazenar o seu conteúdo”. Sinceramente não entendi o que diabos ele quis dizer com “memory kernel”, mas suponho que seja possível usá-la para gravar coisas pessoais também (acho difícil tanto espaço ser usado apenas pelo sistema, até pela sua finalidade, mas posso estar enganado, claro). O stick de 4 GB fica na área acima do teclado e pode ser levantado (veja na foto abaixo – isto não é uma antena) substituído por um drive de até 16 GB.

(O press release fala em 20 GB de armazenamento e dez horas de bateria – talvez a unidade testada seja diferente nesses aspectos.)

A interface do Skylight também usa os seis painéis de aplicativos do Idea Pad U1 no modo tablet. O smartbook deve ser lançado nos EUA em abril por US$ 499.

Para Barrett, o Skylight por enquanto não oferece muita vantagem em relação a um smartphone ou um netbook. O que pode mudar isso são os aplicativos. O mesmo pode ser dito para o IdeaPad U1, já que o seu grande diferencial é justamente a parte tablet – cujo software é muito semelhante ao do Skylight.