O Ubuntu não é o único sistema operacional Linux, mas é onde o sonho de um desktop completamente gratuito e utilizável chega mais próximo da realidade. Se todos os desenvolvedores para Ubuntu se reunissem em um único lugar, eis as cinco coisas que pediríamos para que eles fizessem.

Imagem por Andrew Mason.

O Ubuntu não é um aplicativo ou serviço único desenvolvido por uma equipe, então a nossa lista de desejos é um bocado mais ampla que simplesmente pedir por cinco recursos ou melhorias novas. O Ubuntu é uma distribuição open source do Linux, desenvolvido e corrigido por milhares de desenvolvedores ao redor do mundo. Ele incorpora os esforços de muitos dos projetos nos quais ele se baseia, como o desktop GNOME, drivers open source, aplicativos como Firefox e Pidgin e muitos outros.

Mas vamos fingir que há uma conferência mundial sobre como o Linux poderia tornar-se um desktop viável e conveniente para mais pessoas, e vamos fingir que eu tinha um painel aprovado nesta tal conferência no qual eu pudesse fazer uma apresentação a todos os grupos interessados. Não vou discutir sobre compatibilidade de hardware, nem fingir que os jogos high-end são o assunto mais importante. Devo confessar que sou mais enviesado a pensar em computadores Apple do que Windows, especialmente porque a Apple ganhou terreno com um produto surpreendentemente semelhante e porque alguns ambientes corporativos travados nunca sairão do Windows.

Neste caso, eu pediria estas cinco coisas:

Uma App Store melhor que a da Apple

Uma das vantagens mais faladas do Linux em relação aos sistemas Windows e Mac é que, nos sistemas distribuídos como o Ubuntu, você pode instalar milhares de aplicativos direto do seu sistema, sem ter que entrar no Google, baixar, dar duplo-clique, Próximo, Próximo e Próximo nas múltiplas telas de instalação. Esta vantagem é perdida se você colocar todos os seus aplicativos em uma enorme pilha de coisas buscáveis com a alcunha de “Gráficos” ou “Som e Vídeo” – ou, o que seria pior, pedir que os usuários copiem e colem fontes repositórias de comandos de instalação nos terminais e arquivos de texto. Estas são excelentes soluções supergeek de backup, mas terrivelmente desanimadoras para aqueles que só estão tentando fazer um sistema estar pronto e funcional.

Novos usuários estão vindo para o Linux em busca dos seus equivalentes no Windows ou Mac – Photoshop, it unes, Winamp, AIM – e estão se perguntando o que outros usuários como eles recomendam em áreas bastante específicas. Eles estão em posição semelhante àquele dono de um iPhone quando se fala de softwares. Somente certos aplicativos funcionarão em tal e tal configuração bastante particular de software e eles precisam ser encontrados. A App Store do iPhone da Apple é uma completa zona quando se fala de organização, busca e layout, mas até mesmo as suas seções simples 10 Mais Pagos e 10 Mais Gratuitos são mais guiadoras que a opção oferecida aos usuários do Ubuntu. Os aplicativos Ubuntu instalados por padrão são razoáveis, talvez um tanto esotéricos em alguns pontos, mas os desenvolvedores e codificadores do Ubuntu não deveriam ser quem define o gosto alheio.

Criem um banco de dados limpo, indexado e search-friendly de tudo que roda em um desktop Ubuntu padrão. Ofereçam resenhas editadas em grupo, bem no estilo Wiki, e (talvez) avaliações do que os aplicativos fazem e a quais aplicativos não-Linux eles se assemelham, e jogue tudo na Internet acessível gratuitamente. Este tipo de coisa já é possível com o handler AptURL – só está faltando é o URL comum.

Integração de dual boot e virtualização
Chegue de pára-quedas numa Apple Store e pergunte como a sua cópia do WordPerfect rodaria em um Mac e um Apple Genius gradualmente guiará você pelo Parallels ou VMWare Fusion, ou possivelmente sugerirá o uso do Boot Camp para ocasionalmente rodar o Windows quando necessário. O Ubuntu na verdade não é nada diferente. Se o Ubuntu quiser se estender para além dos usuários mais técnicos, ele deve eliminar a necessidade de se aprender sobre tabelas de partição para encaixar uma instalação de Windows ao lado de uma do Linux.

Criem algo menos imponente e mais visualmente atraente que o menu GRUB padrão. Continuem melhorando o instalador do Ubuntu para explicar melhor quais são as opções de instalação de múltiplos sistemas. Façam o melhor para que coisas como instalar e rodar o VirtualBox sejam fáceis para um iniciante, ou abram as suas entranhas open source e as integrem de maneira intrínseca no Ubuntu que um comando de botão direito do mouse do tipo “Abrir com Windows 7” não seja um sonho risível.

Repensando com o lobo direito do cérebro
As realizações de uma rede de desenvolvedores tecnicistas e grandes usuários do lado esquerdo do cérebro quanto à criação de um sistema baseado em Unix capaz de se instalar em praticamente qualquer coisa que tenha um processador nunca serão inteiramente apreciadas. A Apple criou um SO baseado no Unix que se instala em um conjunto menor de hardware de computador, mas possui um histórico e tradição de investir bastante o lado direito do cérebro ao fazer com que recursos tecnicamente avançados tenham uma aparência limpa e simples. Projetos como Mac4LIn são a mais perfeita imitação e interfaces como o tema GNOME-Do Docky trazem tanto a funcionalidade Dock quanto a Quicksilver ao Linux. No entanto, o Linux e o Ubuntu realmente precisam agora é de algo novo.

O smartphone Palm Pre recebeu em geral boas críticas pela sua interface “baralho de cartas”, que de fato era bastante inovadora e não muito difícil de se acostumar a usar. Apesar de aparentemente não estar vencendo a guerra de vendas contra o iPhone, o Ubuntu possui uma vantagem distinta – é gratuito. Algo gratuito e projetado para se parecer mais ou menos como o XP original parecia não conquistará corações e mentes. Algo que seja útil mas tenha um novo look, com melhorias na velocidade, abertura e suporte a hardware, isso sim será digno de nota. Parafraseando o que disse John Gruber, aquele cara Mac, sobre a oportunidade Android – definam os seus objetivos de forma a poder declarar vitória com apenas uma fração da base de instalação do Windows e Apple.

Backup animal nas nuvens

Quando o Chrome OS baseado no Linux chegar, uma coisa que com certeza sabemos que ele tentará é dar boot em “poucos segundos”. O próximo release do Ubuntu, enquanto isso, tem como meta 10 segundos. A menos que ambos sejam voltados para os usuários mais histéricos, esta diferença não é insuperável, mas o Chrome OS também oferecerá um backup livre de preocupações de todos os documentos, e-mails, mensagens SMS e quaisquer outros aplicativos de web do usuário, porque tudo é feito via navegador de web ou, o que será mais provável, um navegador rodando dentro de um shell individual de aplicativo.

Há um número significativo de pessoas que não se sentem muito à vontade em ter tudo que fazem nas nuvens e talvez queiram cópias físicas de tudo. Talvez seja sábio não usar o Google como porto seguro de toda a vida produtiva de um indivíduo porque congelamento de contas e hacks de senhas são coisas que acontecem. O backup, por outro lado, é uma das coisas que são ainda mais úteis quando há uma cópia longe do seu sistema. O Ubuntu já tem o Ubuntu One, mas neste momento há uma opção semelhante ao Dropbox, porém menos conveniente porque só é acessível por meio do Ubuntu ou da web. É open source, então as ferramentas de sincronização Windows e Mac com o tempo aparecerão, projetadas por um comitê. Mas se um serviço de backup estiver sendo glorificado pelos verdadeiros geeks por mudar o paradigma e libertar a mente, então é melhor você aprender a lição com eles, ou potencialmente iniciar uma frente para que ele passe a ser open source.

Bom software de edição de vídeo
Isto é um pouquinho mais importuno, mas definitivamente vale mencionar. Na tentativa de editar um vídeo de maneira que tivesse som contínuo tocando sobre dois clipes de vídeo diferentes, dois editores do Lifehacker – que não são nada novatos – ficaram impressionados em ver quão difícil o iMovie ´09 havia transformado esta tarefa em um Mac. No Windows, existe o Windows Movie Maker, gratuito, que de fato perdeu alguns recursos desde a versão do XP, e tem também pacotes profissionais a partir de 450 dólares. No Linux, há uma ampla gama de opções, quase nenhuma delas com um toque bem acabado e todas elas vindo com infinitas dores de cabeça relacionadas com codecs, dependência e interface. O OpenShot parece ser um passo na direção certa. Apesar de o Ubuntu não estar no negócio de software de vídeo, os muitos que contribuem com tempo, ideias e às vezes dinheiro em prol do projeto poderiam considerar isto como um grave elo faltante no espaço de aplicativos Linux.
 


Nossos comentários do painel imaginário da Conferência Mundial Ubuntu se acabaram, mas ainda temos algum tempinho para ouvir seus comentários aqui embaixo. Diga-nos o que você pensa que o Ubuntu necessita ou precisa mudar para tornar-se um grande desktop alternativo.