Caro Lifehacker,
Eu acabei de comprar uma câmera nova, e o cartão SD que eu tinha na minha antiga não está funcionando. Eu já queria comprar um maior, mas por que o antigo não está funcionando? Como vou saber qual o certo para a minha câmera? É só comprar o maior que eu puder pagar e seguir em frente na vida?
Atenciosamente,
Confuso D. SD

Caro Confuso,

Parabéns pela câmera nova! O seu problema é bem comum. Muitas pessoas compram uma câmera nova, tentam usar o mesmo cartão SD que já usavam em uma câmera antiga e descobrem que as fotos funcionam, mas os vídeos não, por exemplo, ou alguma outra coisa estranha. O motivo disso tem a ver com a sua segunda pergunta: como saber qual o melhor SD para comprar para a sua câmera. Vamos por partes.

Cartões antigos e câmeras novas

O problema que você pode estar tendo é que o seu cartão SD deve ser muito lento para que a sua câmera grave nele de modo efetivo. Este é um problema que as pessoas normalmente encontram ao contrário, tentando comprar um cartão novo e muito rápido para as suas câmeras antigas, mas isso também pode acontecer. O problema acontece quando você tenta gravar um vídeo no cartão SD antigo em uma câmera nova, especialmente se for um vídeo em HD. O cartão simplesmente não é rápido o suficiente para acompanhar o ritmo em que a câmera está tentando gravar dados nele, então o vídeo fica com a qualidade estranha, ou simplesmente não funciona. No caso de cartões novos em câmeras antigas, o cartão deve funcionar, mas não terá o desempenho correto.

Para entender por que isso acontece, você precisa entender as classes de cartões SD e as suas respectivas velocidades. É um assunto um pouco arcano, mas que é importante para os donos de câmeras digitais e camcorders e que é geralmente mal explicado pelos fabricantes.

Cartões SD e suas classes, velocidades e armazenamentos

A primeira e mais básica recomendação para quem está comprando uma câmera ou camcorder é verificar a documentação (especialmente online, antes de comprar) para descobrir o tipo e velocidade de cartão SD indicados para o aparelho. Assim você terá uma recomendação concreta sobre o que comprar. Se você encontrar isso no manual do proprietário, siga a instrução. Infelizmente, muitos fabricantes soterram essa informação ou a escrevem de maneira pouco clara, usando termos que nunca são explicados, como “classe” e “fator x” (“x rating”). É isso que eles significam:

Classe: Cartões SD vêm em quatro classes: Classe 2, Classe 4, Classe 6 e Classe 10. Cada classificação de classe corresponde à sua velocidade de gravação mínima. Isso significa que um cartão Classe 2 pode gravar dados a uma velocidade mínima de 2MB/s, um Classe 4 a 4MB/s e assim por diante. Lembre-se que estas são velocidades mínimas, e apesar da maioria dos fabricantes de cartões colocarem este número bem visível na embalagem do cartão, não é geralmente a velocidade mínima de escrita que causa problemas em aparelhos mais novos.

Esse dado geralmente é o responsável por problemas quando se mistura cartões novos com aparelhos antigos: se o aparelho não conseguir gravar à velocidade mínima do cartão, você terá problemas para salvar suas fotos e vídeos.

Fator X (X Rating): Enquanto a classe de um cartão SD corresponde à sua velocidade mínima de escrita, o seu fator x corresponde à velocidade máxima. É aqui que está o problema da maioria das pessoas que usam cartões mais antigos com aparelhos novos: se o seu cartão SD é, por exemplo, um 13x (que grava dados a uma velocidade máxima de 16 Mbits/s) e está em uma câmera que exige pelo menos um cartão 40x (48Mbits/s), o cartão não conseguirá acompanhar a câmera. Há uma excelente tabela na Wikipedia correlacionando os fatores x com as classes de cartões.

Se isso ainda parece confuso, não se preocupe: a maioria dos compradores de cartões SD não precisam se preocupar com o fator x: ele é geralmente usado como um número de marketing na embalagem do cartão para mostrar como o cartão é rápido. Ao mesmo tempo, os fabricantes geralmente incluem para informar o comprador sobre o fator x mínimo que um cartão deve ter para ser usado. Na realidade, se você for às compras com este número em mente, vai comprar um cartão que vai funcionar perfeitamente, mas se puder gastar um pouco mais, talvez seja uma boa ideia comprar um com classe e fator x maiores do que os recomendados pelo fabricante do seu equipamento, assim talvez talvez o cartão possa ser usado em outros aparelhos mais modernos no futuro.

Armazenamento: O tamanho do cartão SD é provavelmente o fator decisivo para a maioria das pessoas. Se você vai usar o seu cartão SD em uma point-and-shoot, tirando fotos apenas ocasionalmente e em formato JPEG, um pequeno cartão de 4 ou 8GB já será suficiente para milhares de imagens. Se você vai fotografar em RAW, mesmo que seja ocasionalmente e em uma point-and-shoot, é bom pensar em um de 16GB – ainda que um de 8GB já seja suficiente. Não há motivo para gastar tanto em um cartão de 32GB se você usa uma point-and-shoot e não faz muito vídeos.

Ao mesmo tempo, se você faz vídeos ou usa um DSLR capaz de tirar fotos em resolução bem mais alta que uma point-and-shoot, é hora de considerar o tamanho médio dos seus vídeos e quanto espaço eles ocupam no cartão. Se você grava vídeos, nem que seja raramente, e tira fotos em RAW, vai querer um cartão de no mínimo 16GB, ou de 32GB para ter certeza que não ficará sem espaço. Esta tabela da SD Association é útil para determinar quantas coisas você conseguirá armazenar na sua câmera baseado no tipo de mídia que você planeja armazenar.

Em conclusão

O Adam Dachis deu uma pincelada sobre cartões SD, além de algumas sugestões, em seu artigo sobre O Básico da Fotografia. Desde aquele dia até hoje, não mudou muita coisa: você provavelmente vai usar um cartão Classe 6 na sua câmera, se ela for relativamente nova, e vai escolher o tamanho de acordo com as suas necessidades e orçamento. (Siga isso se você não conseguir encontrar ou não quiser procurar a informação correta de tipo de cartão no manual de instruções do equipamento.)

Não há problema em comprar um muito maior ou melhor do que o que você precisa, mas dependendo do caso pode ser um desperdício de dinheiro. Se você tem um cartão velho, Classe 2, e quer testá-lo em sua DSLR nova, nada te impede também – apenas lembre-se de copiar tudo que há nele para outro lugar antes. E lembre-se de que a sua câmera pode não conseguir salvar as fotos e vídeos na mesma velocidade que os tira.

Esperamos que isso ajude!

Atenciosamente,
Lifehacker