Eu tive a sorte de receber um dos netbooks Cr-48 do Google como parte de um “teste piloto” para o Chrome OS, que vem por aí. O netbook em si é bem usável, e ótimo para computação portátil. Eu concordo com a maioria das opiniões do Jason Chen no seu review.

Não é possível comprar um Cr-48 agora, e talvez você nem queira um netbook como este. Felizmente, você pode instalar o seu próprio build do Chrome OS (o Lifehacker publicou um guia para humanos que querem fazer isso), ou simplesmente usar uma versão atualizada do navegador Chrome em modo tela cheia e usar um pouco da imaginação e força de vontade. Fora isso, você pode ler este texto e imaginar o futuro não muito distante no qual sistemas de ligação instantânea e focados na web serão bem mais comuns.

Por que é útil se limitar ao Chrome?

Por que alguém, em plena consciência, se limitaria a um computador que oferece basicamente apenas um navegador com uma janela de configurações extendida? Há vários bons motivos, e quero falar sobre alguns deles:

Chrome OS é computador na medida certa

Eu não compilo código no meu serviço, não rodo programas CAD, e quando preciso trabalhar com Twitter, messenger ou email, há vários ótimos webapps para as minhas necessidades. Mas, mais do que apenas satisfazer as minhas necessidades, o Chrome OS ainda me impede de perder tempo satisfazendo os meus ímpetos de fuçador. Você não atualiza o software manualmente, os apps se instalam quase instantaneamente; as duas únicas opções reais de personalização são a escolha de um tema para o navegador e uma imagem de perfil. Nem o OS em si você precisa instalar.

Sim, a web está lá, e ela continua o mesmo coliseu monstruoso de distrações. Mas quando você é obrigado a encarar a web de frente, sem a muleta de achar que você está de algum modo “otimizando a máquina”, você tende a ter mais consciência do que ela é, e segue em frente.

Acaba a desculpa de que “ligar é um saco”

Nós nunca nos importamos de puxar o celular do bolso para enviar uma mensagem rápida ou dar uma olhadinha em um videozinho engraçado no YouTube, mas quando o assunto é fazer algumas anotações, organizar tarefas ou enviar aquele email atrasado, as nossas mentes transformam a ideia de abrir e ligar um laptop – e, opcionalmente, achar uma tomada para ligá-lo – em algo pior do que limpar as sarjetas de Guggenheim. Você fica meio sem desculpas com um netbook, mesmo quando não está em casa. Eles geralmente têm conexão 3G igual à de um celular e, no caso do Cr-48, eu ganho 100MB de dados gratuitos todo mês. Se o problema era “só preciso jogar isso no Google” antes de “começar”, aí está. Agora é só você e a tarefa que você tem que fazer.

Trabalhando no Chrome (OS)

Legal, tudo muito bonito, mas como dá para trabalhar de fato no Chrome OS? Eu não estava brincando antes: usei o Cr-48 para fazer todo o meu trabalho no Lifehacker, email, meus trabalhos escrevendo como freelance e basicamente tudo que eu não faria num smartphone. Isso significa escrever (online e off), edição leve de imagens (cortar, colar, anotar), fazer ligações VoIP pelo GMail/Google Voice, conversar por messenger com o chefe e ler muita, muita coisa em feeds RSS e outros materiais.

Houve duas exceções: eu tive que testar alguns navegadores e alguns apps de Windows ou Mac, mas isso são coisas que pouca gente faz no trabalho. Eis aqui os meus melhores conselhos para viver e trabalhar no navegador:

Conheça os apps alternativos
Só porque você você tomou a decisão de simplificar a sua vida online, isso não significa que os seus amigos, parentes e colegas farão o mesmo. Mas para quase tudo há uma alternativa quase sempre rápida e simples.

* Para a maioria dos documentos do Office (à exceção de planilhas malucas do Excel), o Google Docs dá conta do recado. Clique no botão de Upload, marque a opção de converter a formatação do arquivo para o Docs e faça a festa.
* Recebeu um formato de arquivo estranho? Use o Zamzar, onde você pode converter praticamente qualquer documento, imagem, arquivo ou mesmo um ZIP para qualquer formato que quiser. Ele manda o resultado direto para o seu email, e se você usa o GMail, é geralmente um clique para abri-lo dali.
* Se você está no Chrome OS, ao menos neste estágio inicial dele, você não consegue descompactar um arquivo – ao menos eu não consegui. O WobZip pode ler arquivos ZIP, 7z, RAR, .tar.gz, entre vários outros, e te dar acesso via download ao conteúdo dele.

Capture, salve e edite o que você vê

Já que tudo que você vê é através de um navegador, e já que você nem sempre terá uma impressora por perto, você precisa pegar o trabalho que você fez na tela e salvá-lo, seja para o seu disco rígido ou um serviço online seguro.

* A extensão de captura de tela do Aviary funciona muito bem, e permite escolher entre diferentes editores, com diferentes níveis de complexidade. Há um editor de imagem inspirado do Photoshop – com camadas – e mais alguns outros para necessidades mais simples e específicas.
* O Sumo Paint é outro editor estilo-Photoshop viável, que alguns podem preferir. Ele não tem uma versão oficial para Chrome, mas a extensão OpenIT Online pode enviar qualquer imagem para o Sumo, ou outros serviços, através do menu contextual. A extensão do Picnik oferece algo parecido, mas eu achei que ele não se comportou muito bem no Cr-48.
* Você já estava esperando isso e é verdade: eu vou citar o Dropbox. Não adianta. Ter uma conta no Dropbox é essencial para acessar arquivos que você salvou em outra máquina, ou salvar arquivos para que você depois possa acessar em outra máquina. Esta extensão não-oficial do Dropbox coloca um menu drop-down na sua barra de ferramentas, facilitando muito a abertura de uma imagem, áudio, documento ou o que for.
* Até que o Cloud Print esteja com maior disponibilidade, ou a não ser que você tenha sempre uma impressora por perto, você vai ter que usar PDFs como o “imprimir” do seu computador. Felizmente, há extensões como a Web2PDFConvert que pegam a página que você está olhando e salvam como PDF – que você pode, claro, subir para o Google Docs ou o Dropbox. Aliás, dá para usar o Dropbox para automaticamente imprimir em PDF a partir de uma máquina Windows ou Mac, também.

Economize em banda e em CPU sempre que possível
Quando você tem Wi-Fi rápida e grátis disponível, a vida nômade é fácil. Mas quando você precisa apelar para o tethering de um plano de dados limitado em um smartphone ou ao 3G nativo, que geralmente não é muito barato, é melhor evitar surpresas. Então faça um favor a si mesmo adicione aos favoritos as versões mobile dos seus sites favoritos ou mais úteis – geralmente são m.qualquercoisa.com ou mobile.qualquercoisa.com. Quando estiver pesquisando algo, use o link do Google Cache, abaixo de cada resultado, para chegar ao texto antes de precisar esperar que as imagens carreguem.

Da mesma forma, o Cr-48 também se esforça bastante quando o Flash entra na jogada. Você pode configurar Flash ou outros plugins para “Click-to-Play”, ou instalar um app de filtro avançado, como o FlashBlock, onde você pode montar uma lista de quais sites serão os únicos a terem permissão para forçar o seu computador com banners e vídeos.

Use os Apps offline que conseguir
Em algum momento, o seu GMail, Google Docs e potencialmente vários outros apps, te oferecerão alguma opção de acesso offline, de modo que você sempre vai conseguir fazer alguma coisa, mesmo sem conexão. Por enquanto, há alguns apps notáveis que vão além dos bookmarks, alguns que até incluem armazenamento offline. Um que eu recomendaria é o Scratchpad, um bloco de notas online/offline que salva constantemente quando você está escrevendo online e se integra ao Google Docs com uma label especial. Ele é bom de usar em modo tela cheia – um espaço minimalista de escrita, com a segurança de um backup constante.

Eu escrevi este artigo inteiro, com edição e tudo, dentro do Chrome OS, mas ainda estou aprendendo a lidar com a vida apenas-online. Você já tentou uma transição parecida? Tem alguma crítica ao mundo focado em apps da web? Diga-nos nos comentários.