Em meio à pandemia do novo coronavírus, os números de desemprego crescem em todo o mundo. O LinkedIn, por sua vez, lançou uma ferramenta com inteligência artificial para ajudar quem está procurando um trabalho a se preparar para o pesadelo que pode ser o processo de entrevistas.

Se sair bem em entrevistas leva prática, não importa se são presenciais ou por videochamada – opção adotada cada vez mais durante o surto de COVID-19. Por isso, o LinkedIn anunciou um feedback instantâneo via inteligência artificial para questões frequentes em entrevistas de emprego. A ferramenta faz parte do conjunto de preparação para entrevistas, que foi lançado no ano passado.

Funciona assim: você grava suas respostas para perguntas padrão de entrevistas (questões sobre suas maiores qualidades e defeitos, planos para os próximos 5 anos, etc), para receber um retorno da IA que avalia “ritmo, quantas vezes são usadas palavras de reforço e frases sensíveis que devem ser evitadas”, de acordo com o LinkedIn.

A nova função ainda está sendo disponibilizada ao redor do mundo, mas você pode checar “imediatamente depois que se candidatar a vagas na página inicial de empregos do LinkedIn”. E uma vez que o machine learning não é perfeito, é possível pedir feedback pessoal para o seu treinamento de respostas para os seus contatos de 1º grau na rede.

“À luz do coronavírus, as empresas que continuaram a contratar rapidamente mudaram as entrevistas para o virtual”, disse Blake Barnes, chefe de soluções de talentos e carreiras do LinkedIn, ao Gizmodo via e-mail. “Com essa mudança, queríamos facilitar a preparação dos candidatos para uma entrevista virtual e nos destacar junto aos empregadores.”

Com isso em mente, a empresa também está acrescentando “apresentações virtuais” para facilitar o processo de contratação em um ambiente digital. As pessoas responsáveis por contratações podem solicitar uma breve introdução dos candidatos potenciais, que podem enviar um vídeo ou uma resposta escrita. Como nada disso é ao vivo, essa ferramenta permite que os candidatos adaptem sua primeira impressão com potenciais empregadores – embora não seja um substituto para a entrevista final, esclareceu Barnes.

“Queremos dar aos candidatos uma chance de demonstrar suas habilidades e mostrar porque eles são bons candidatos para a vaga, de uma forma mais pessoal do que um currículo”, disse ele. “Não se trata de um substituto para uma entrevista cara a cara, mas ajudar com mais informações a decidir quais candidatos serão trazidos para fazer as entrevistas e avaliá-los para além da experiência profissional e do histórico escolar.”

No entanto, há um risco dessas apresentações digitais saírem pela culatra. Imagine, por exemplo, se fazer uma apresentação escrita em vez de um vídeo pegar mal com um gerente. Por isso, Barnes enfatizou que é importante que os empregadores permaneçam “objetivos e com a mente aberta” e que eles “avaliem os candidatos com base no quão bem eles respondem às perguntas, seja ela escrita ou por vídeo.”

O Gizmodo Brasil entrou em contato com a assessoria do LinkedIn para esclarecer se essas ferramentas devem chegar à versão brasileira do site e se estarão disponíveis em português. Atualizaremos o texto quando obtivermos respostas.

Atualização dia 4 de maio, às 15h37: A assessoria do LinkedIn retornou afirmando que o “recurso está em teste globalmente”, mas que “por enquanto, ele só está disponível para perfis em inglês”. Ainda não há previsão da chegada da ferramenta em português.