Tabloides noticiaram recentemente que um relatório “bombástico” havia encontrado água em movimento na Lua que poderia levar à “colonização” do satélite. Obviamente, essas manchetes são enganosas — não há rios fluindo ao longo da superfície lunar. Vamos falar sobre o que realmente aconteceu.

O Orbitador de Reconhecimento Lunar (LRO, na sigla em inglês), da NASA, uma sonda que tem orbitado a Lua desde 2009, encontrou moléculas de água sendo absorvidas e liberadas de grãos de poeira na superfície lunar ao longo do dia, com base na temperatura. Esses resultados marcam o único conjunto de dados a registrar a distribuição de água durante o dia lunar, de acordo com o artigo publicado na revista Geophysical Research Letters.

Embora todos nós já tenhamos associado a água à vida, não é estranho que a água apareça em outro lugar do Sistema Solar. Os cientistas já descobriram evidências de água nas rochas da Lua, que provavelmente esteve lá desde que o satélite natural se formou, assim como na sua superfície, provavelmente depositada por meteoros, de acordo com o artigo.

O novo estudo, liderado pela cientista sênior do Planetary Science Institute Amanda Hendrix, analisa dados obtidos pelo Lyman Alpha Mapping Project (LAMP), um instrumento que mede a luz ultravioleta distante no Orbitador de Reconhecimento Lunar. Os pesquisadores analisaram as variações diurnas da luz ultravioleta refletida pela superfície lunar de 2009 a 2016. Seus resultados mostraram uma pequena quantidade de moléculas de água migrando ao redor do satélite com base na temperatura, com as rochas liberando mais água ao meio-dia, quando a temperatura é mais alta e a água se move para áreas com menos radiação solar entrando.

No entanto, existem explicações alternativas para os resultados. É possível que os pesquisadores estivessem vendo água se formando a partir de moléculas de hidróxido fornecidas, um átomo de oxigênio ligado a um átomo de hidrogênio, pelo Sol, embora eles indiquem que seus resultados são consistentes com estudos laboratoriais do comportamento da água.

E, apesar do que as manchetes dos tabloides sugerem, não são cursos de água fluindo. As moléculas de água constituem menos de 1% das moléculas na superfície.

Ainda assim, é empolgante ter mais informações sobre a movimentação da água na Lua. Estudos como esse podem apontar futuros cientistas para os lugares e épocas para melhor procurar água na superfície lunar.

Hendrix disse em um comunicado: “Esses resultados ajudam a entender o ciclo lunar da água e, em última análise, nos ajudarão a aprender sobre a acessibilidade da água que pode ser usada por humanos em missões futuras à Lua”.