Conforme o Uber implode, a empresa de caronas Lyft está, de novo, seguindo os passos de seu maior competidor. Desta vez, mergulhando de cabeça em um enorme projeto de carro autônomo que pode, um dia, mandar seus motoristas humanos para algum outro canto da abandonada economia de compartilhamento.

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O Lyft anunciou nesta sexta-feira que está criando uma divisão de carros autônomos a ser composta por “centenas” de novos empregados e localizada dentro de um escritório de 1.500 metros quadrados em Palo Alto, na Califórnia. A divisão vai supervisionar o desenvolvimento do software de auto-condução do Lyft. É uma “plataforma aberta”, diz o Lyft, aparentemente projetada para ajudar a companhia a conquistar mais parceiros na corrida pelos carros autônomos.

Conforme empresas como Google, Tesla, Ford e Uber demonstraram nos últimos anos, carros autônomos são máquinas cada vez mais capazes. A corrida para criar carros autônomos gradativamente evoluiu de características limitadas de assistência ao motorista e testes isolados em pistas particulares para testes acontecendo em ruas de cidades da vida real. As montadoras estão realmente se aproximando de fazer veículos que, de fato, dirigem a si próprios.

Mas ninguém sabe quando, exatamente, eles estarão prontas para nós, pessoas normais, usarem-nas, ou quando as cidades sequer vão permiti-las — o Lyft certamente não sabe, já que não ofereceu nenhum prazo durante sua grande divulgação nesta sexta. Mas a empresa já compartilhou palpites antes. Agora, está jogando mais dinheiro e engenheiros em cima da questão do que nunca. Isso é bem importante, porque (dependendo do progresso do Lyft) pode significar que teremos os carros autônomos mais cedo do que o imaginado.

Como aponta o New York Times, a estratégia do Lyft não se parece em nada com as de Uber ou Apple. Em termos de desenvolvimento de software, essas empresas estão efetivamente sozinhas.

O Lyft, enquanto isso, já tem dois parceiros dignos de nota. Começaram trabalhando com a GM no ano passado em um projeto de auto-condução depois que a fabricante fez um investimento de US$ 500 milhões no serviço de caronas. O Lyft também assinou recentemente um acordo para trabalhar com a Waymo (projeto de carro autônomo que saiu do Google recentemente), divisão da Alphabet.

Tirando o dinheiro e os engenheiros, o Lyft também pode oferecer a seus potenciais novos parceiros algo que o Uber não vai compartilhar de primeira: os dados que coleta de caronas feitas por humanos. Como o Lyft coloca, um “conjunto diverso de cenários da vida real ajuda os parceiros a desenvolver seus sistemas em torno de experiências e comportamento de verdade”.

O Lyft imagina que os carros autônomos vão dominar as estradas gradativamente. Enquanto isso acontece, a empresa acha que seus motoristas humanos contratados vão inicialmente se beneficiar dos carros autônomos: “Acreditamos que, nos primeiros cinco ou mais anos depois da introdução dos veículos autônomos, a demanda por motoristas humanos vai na verdade aumentar, e não diminuir”, escreveu o cofundador do Lyft John Zimmer, no Medium, no ano passado. Mas o Lyft não disse o que vai acontecer com esses motoristas depois que os robôs assumirem o controle completo.

Spoiler: quando essa época chegar, o Lyft não vai se importar com isso.

Imagem do topo: Lyft/Gizmodo