Macarrão pode não te fazer pensar em “ciência”. Mas, também, você provavelmente nunca gritou “caramba” enquanto via um macarrão se enrolar diante de seus olhos.

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Uma equipe de pesquisadores do MIT e da Universidade de Syracuse está trabalhando em como reduzir os custos de transporte de comida e de espaço de armazenamento necessário — um problema bastante mundano, claro, mas ainda assim importante. Há várias pessoas que precisam de bastante comida em um pequeno pedaço de espaço, como andarilhos e até mesmo astronautas. Os cientistas criaram um “apetite transformador”, onde dois filmes bidimensionais de um composto de gelatina-celulose se enrolam em vários formatos 3D na água. Um dia, com sorte, eles poderão fazer com que o macarrão faça o mesmo.

Dá uma olhada:

Mas por que macarrão? Porque as pessoas amam macarrão. E “pessoas que amam macarrão são muito exigentes com os diferentes formatos”, disse Lining Yao, autora do estudo, ao Gizmodo. “Livros dizem qual formato combina com qual molho e com qual sensação na boca e com qual sabor. Há vários truques para fabricar diferentes formatos e criar experiências alimentares.”

As autoras iniciais do estudo se encontraram porque ambas eram amantes de comida mongoliana e queriam fazer bolinhos que se dobravam sozinho, disse a outra autora Wen Wang, também do MIT. Então, elas viram Star Wars: O Despertar da Força e ficaram inspiradas quando Rey fez pão misturando pó com água. “Fiquei me perguntando se era possível fazer uma comida que mudava de forma manipulando a capacidade de absorção de água da comida”, disse Wang.

A mudança de formato vem de uma propriedade fundamental da comida, sua absorção de água, explicou Yao. A massa de macarrão cresce quando é cozida. Mas diferentes componentes do macarrão, como carboidratos, proteínas e celulosa, se incham de maneira diferente. Então, as pesquisadoras separaram os componentes e colocaram-nos de volta juntos, em camadas, usando serigrafia. As diferentes taxas de absorção fazem com que a comida se dobre diferentemente.

Isso, combinado com uma interface de simulação construída pelos autores de estudo Ten Zhang e Chin-Yi Cheng, deu aos pesquisadores um sistema em que pudessem projetar vários tipos de filmes e formatos com alguns cliques e sua serigrafia especial. A equipe apresentou o trabalho na Computer-Human Interaction Conferecence on Human Factors in Computing Systems (Conferência de Interação Humano-Computador sobre Fatores Humanos em Sistemas de Computação), neste mês, organizada pela Association for Computing Machinery.

Há desvantagens no método tal como está agora. Wang e Yao ambas me disseram que não estamos na verdade falando de macarrão ainda, mas de um composto de gelatina-celulose. Há um longo caminho a percorrer antes que a equipe crie macarrão de verdade. E se tem uma coisa que você deveria saber sobre ciência gastronômica é que a textura vem primeiro e, por último, vem o sabor. Quase todos os cientistas gastronômicos com quem conversei me disseram isso, de pessoas trabalhando em cream cheese a carne em cultura. Então, o próximo desafio será chegar à textura de macarrão apropriada.

Isso não importa, já que você não pode comê-lo — mas você certamente pode olhar para ele. Então veja o vídeo e curta essa bela ciência de enrolar macarrão.

[MIT]

Imagem do topo: Michael Indresano Production