Sabe o que eu queria de Natal em 2009? Bem, o que eu queria mesmo era um smartphone com lasers mortais. Mas ganhei algo próximo: um Moto Dext desbloqueado. Já sabemos que ter um smartphone sem plano de dados é bobagem, mas eu não queria gastar muito num plano pós-pago. Queria um plano de dados avulso, sem plano de voz. Então tive a ideia de adquirir um plano de dados pré-pago. Parece uma boa ideia, não? Parece. 

Por enquanto, só a Vivo oferece planos pré-pagos de dados. Dessa forma, você não precisa comprar plano de voz para usar internet no smartphone. São três opções: um plano diário, outro semanal e outro mensal. Não há limite de dados trafegados, mas a velocidade cai depois de atingida certa cota (coisa que odeio no modem 3G, mas no celular a diferença é menos perceptível). E você ativa o serviço através de SMS: você envia para a Vivo, eles pedem para você confirmar e pronto, lá está sua net 3G no smartphone.

Cômodo e tranquilo, né? Até você ver os preços. Um dia de internet 3G no meu Dext custariam 12 reais. Mas eu não queria usar internet um dia só: eu vou usar todo dia, nem que seja só um pouco. Mas o plano mensal custa absurdos R$ 130! É mais barato comprar um plano de 250MB com plano de voz. (Os preços aqui são válidos para o estado de São Paulo.)

Então ou eu pago uma fortuna num plano de dados pré-pago, ou sou obrigado a comprar um plano de voz para ter o direito de pagar para navegar na internet pelo celular. Por que, então, as operadoras não vendem o plano de dados avulso? Imagino que elas teriam que cobrar um pouco a mais por isso: acredito que as operadoras veem o plano de dados como complemento a um plano de voz. Por exemplo, a Claro cobraria "só" R$ 50 por mês por um plano de 250MB porque sabe que ele será vendido com um plano de voz; se fosse vendê-lo avulso, talvez tivesse que cobrar mais. Só que estou disposto a pagar um pouco mais, uns R$70 quem sabe, para não ter que comprar um plano de voz (O menor valor para voz mais 250MB é de quase R$100.)

Para as operadoras, qual seria o problema em oferecer planos de dados a esse pequeno pessoal (mais de 80% dos donos de celulares no Brasil) que usa celulares com planos pré-pagos? Elas acham arriscado conceder planos de dados sem ter garantia de que o usuário pode pagar — algo dispensável num plano pré-pago? Eu mostro meu comprovante de renda, de residência, sem problema.

Mas será que eu deveria pagar R$ 70 por um plano de dados com limite de tráfego? Eu uso a internet 3G da Claro e posso baixar quantos petabytes eu quiser — o limite fica na velocidade, o que enche o saco, mas estaria disposto a pagar um pouco mais pra acabar com isso. E mais: a linha do modem 3G pode ser usada para enviar e receber SMS também. Só não posso fazer ligações, algo que, a meu ver, não custaria nada ativar. Então por que não vender esse plano de modem 3G em um celular, e ativar a linha de voz pré-paga? A operadora só tem a ganhar.

Ah, mas aí pode ter um problema: vão querer usar o celular 3G como modem. A operadora espera um consumo baixo de dados via smartphone, mas se os usuários fizerem tethering com regularidade, o consumo de dados estoura. Como a rede 3G ainda está começando a melhorar a estrutura e tem qualidade sofrível aqui no Brasil, isso pode representar instabilidade na rede e perdas pra operadora. Então criem um plano de tethering, como nos EUA! A operadora Verizon, por exemplo, vai cobrar 30 dólares ao mês para quem quiser usar o Milestone como modem. Ou poderiam criar um plano com cota diária: você teria direito a velocidade de 500Kbps, mas com limite de 100MB por dia, por exemplo — assim se evita que usem o celular como modem. Se quiser fazer isso, é só comprar o plano de tethering. (A Vivo, hoje, não cobra por tethering pelo iPhone.)

Você pode estar pensando, "Felipe, larga de ser mão-de-vaca e compra logo um plano de voz e dados!". Mas eu não quero. Eu me comunico bastante por SMS — mais que seis por mês, com absoluta certeza — e falo pouco pelo celular. Esse deve ser o caso de muita gente por aqui, que comprou (ou quer comprar) smartphone mais para usar internet, não os serviços tradicionais de um celular.

Usar o Wi-Fi, como já discutimos, não é uma boa solução. Depender de Wi-Fi para usar a parte "smart" do seu smartphone é dureza: vale mais a pena comprar um PMP com Wi-Fi e um celular simples. Além disso, usar internet fora de casa, ou de shoppings, cafés etc. com plano pré-pago fica fora de questão: a TIM, por exemplo, cobra R$ 15,73 por megabyte — meros 3 megas e pronto, lá se foram quase 50 reais! Tanto Tim e Oi têm planos para você usar o serviço de Wi-Fi nos hotspots da Vex, mas você ainda precisa ser cliente deles. 

Já falamos por aqui que, se você não tem condições de manter um smartphone, é melhor não comprar. Mas existe muita gente que compraria um smartphone se pudesse apenas ter um plano de dados decente, não tenho dúvida. Eu mesmo queria comprar um Samsung Galaxy Lite, que desbloqueado pode sair a 999 reais — com um plano de dados, seria um smartphone mais barato ainda.

Finalmente, vale lembrar que os próximos Google Phones podem seguir agressivos nessa direção de smartphone com plano de dados. Aparentemente, no futuro, a ideia é usar apenas plano de dados no aparelho — as ligações seriam feitas via VoIP (tipo o Skype, mas no seu celular). A T-Mobile, operadora móvel nos EUA, já ativa celulares só com plano de dados. Veremos Nexus Three sem linhas de voz?

A Claro deve oferecer um plano pré-pago de dados em breve. Espero que eles entendam que plano de dados a preços absurdos não têm qualquer sentido, e que eles — ou alguém! — ofereçam um plano de dados decente, seja pré-pago ou não. O que você acha?