Já mencionamos mais de uma vez que o imposto de importação encarece os gadgets no Brasil, ao ponto de um smartphone folheado a ourocustar menos no exterior que um smartphone normal no Brasil. Mas o país parece não estar de braços cruzados: devido aos incentivos fiscais do governo — entre eles a isenção do imposto de importação — três fabricantes de chips devem chegar ao Brasil ainda este ano, com mais outras dez com planos de produzir no país. Pela lógica, isso faz o preço dos componentes cair e, por sua vez, o preço dos gadgets aqui diminui.

Segundo a Folha de S. Paulo, a Hana Micron, fabricante coreana de semicondutores, está prestes a começar suas atividades no Rio Grande do Sul, e outras duas grandes fabricantes estão em negociação avançada. Estas empresas não são exatamente fabricantes de primeira linha, como a Intel, Samsung ou a AMD — a atividade principal delas é cortar pranchas importadas do exterior para fabricar chips e placas. Mas já é um bom começo: segundo a Folha, considerando apenas as isenções fiscais — que incluem o imposto de importação, PIS e Cofins sobre máquinas, equipamentos e insumos — o preço dos chips cai pela metade quando produzidos no Brasil.

A tendência é que esses preços se reflitam em produtos que usem estas peças — em geral, produtos fabricados no Brasil. Então o iPhone não ficaria mais barato (ele é importado), por exemplo, mas várias marcas de PCs e notebooks fabricados aqui poderiam ver uma redução no preço. Sempre citamos o caso dos netbooks, e eles seriam beneficiados. Apesar de montados aqui para que os impostos sejam menores, quase todos os componentes vêm de fora. Uma fabrica de semicondutores próxima poderia reduzir consideravalmente o preço dos computadores.

O governo parece ter noção de como os eletroeletrônicos são importantes para nossa economia, e para nós, viciados em gadgets: o plano federal de apoio à indústria é reduzir o saldo entre produtos eletrônicos exportados e importados. Com o ânimo das fabricantes, isso pode mesmo rolar: segundo Marcelo Medeiros, diretor-geral da Ingram Micro, "mesmo com todas as nossas limitações e barreiras, hoje não há empresa estrangeira que não esteja pensando em vir para o Brasil".

Agora precisamos que fabricantes de produtos finais, como a MSI e a BlackBerry, venham para o Brasil ou intensifiquem produção aqui, e que o governo repense a taxa de importação para certos produtos que não compensam ser fabricados aqui — placas de vídeo, por exemplo. [FSP – restrito a assinantes; imagem via]