Depois de 9 horas de vôo até Nova York mais 14 até o futuro, estou em Tóquio (12 horas à frente do Brasil, tecnicamente futuro), onde descobrirei bizarrices, diferenças culturais e acompanharei a CEATEC, maior feira de eletrônicos da Ásia. Estou preparado para o choque cultural-tecnológico, que começou, aliás, no avião, que por si só é digno de nota. 

Já fui algumas vezes aos EUA, então não me impressiono tão fácil, tipo família Buscapé. Mas a Japan Airlines é um lance diferente. As atendentes são inacreditavalmente bem-educadas (que diferença pra AA!) e todas as mensagens tem um "obrigado pela sua cooperação". Logo no início da viagem, quando todo mundo está se acomodando, a chefe dos comissários fala alegremente, num inglês impecável: "graças a sua cooperação fizemos o embarque rápido, e conseguimos sair dentro do horário. EBA!". Em determinado momento, eu derrubei café em mim, a comissária viu e soltou "I’m so sorry" umas 10 vezes. E ela estava longe do ocorrido.



O avião em si é meio monstro, o 747-400 (o popular Jumbo) com seus dois andares e capacidade para quase 500 passageiros. Fui na parte de cima. Entrar no avião e subir escadas é bacana, não sei exatamente por quê. A autonomia é impressionante – ultrapassa os 14 mil km. Só fizemos uma escala de São Paulo ao Japão, em Nova York, com uma pausa para esticar as pernas e enfrentar o departamento de migração dos EUA. "Mas Pedro, não seria mais fácil ir por Los Angeles?". Eu achava isso, até lembrar que a Terra é redonda. Veja a rota:

Sim, eu passei pelo Alaska e vi a Rússia pela janela, como a Sarah Palin. Uma atração à parte são os vídeos e panfletos de instrução. São, como poderia de se esperar e mesmo assim é surpreendente, em estilo japonês, bem engraçado e superdramático. Na animação, a passageira dá bolsadas no cara que ouve música alta, a polícia prende o que vai fumar no banheiro e tudo é muito educativo. No panfleto a coisa não é diferente. Em vez de simplesmente apontar onde ficam as saídas de emergência, é mais fácil mostrar o sofrimento que é um incêndio, com direito a comissária com cara de psicopata:

Outras coisas dignas de nota: além dos filmes em cartaz em cinema, como Transformers dublado em japonês (É igual Gundam, juro!) A TVzinha individual tem um canal que mostra uma câmera na parte de baixo do avião. Num enorme trecho da viagem ela trouxe essa belíssima imagem: 

O Pacífico Oceano. Mas ok, no final foi bacana passar por dezenas de campos de golfe e ver a pista chegando. Na chegada, depois de mais de um dia de viagem, uma boa notícia: o departamento de imigração no Japão é bem mais tranquilo que nos EUA, por exemplo. No momento que eu passei o meu passaporte brasileiro para a funcionária, as instruções do computador virado para mim (tipo coloque os dedos indicadores para digitais, faça pose para a foto) ficaram em português. E ela se esforçou para falar boa viagem. São pequenos gestos que me dão uma ótima primeira impressão sobre o povo daqui.

E agora me dêem licença, que eu vou tentar domar o jet lag e dormir no horário certo. E amanhã eu explico qual a grande vantagem do sistema monárquico japonês e seus sofisticados tronos, como esse abaixo:

Mais fotos e informações do futuro, no meu Twitter.

 

*O Gizmodo Brasil viajou a Tóquio à convite da Panasonic, e comeu enguias na primeira noite.