O juiz Edinaldo Muniz

Aqui no Brasil as pessoas usam o SMS muito pouco: na América Latina cada pessoa envia em média 60 torpedos por mês (uns 40% devem ser "estoy llegando"), mas no Brasil a média é de apenas 6. Eu não sei como posso aumentar essa estatística com mensagens úteis. Mas um juiz do Acre, que ordenou a liberação de um cara da cadeia usando um SMS, sabe.

O acusado de não pagar pensão alimentícia estava preso numa cidadezinha do Acre. Pagou a dívida de 600 reais e podia ser liberado, mas o juiz titular, Edinaldo Muniz, estava na capital. Sem internet ou fax por perto, o juiz resolveu enviar a sentença por torpedo. O cartório transcreveu o SMS, passou a decisão para a delegacia e pronto: o cara foi solto.

Seria ótimo ver o Judiciário usando mais a tecnologia para ajudar a reduzir a lentidão no julgamento de processos, e Muniz dá o exemplo. Claro, ele só pôde emitir sentença via SMS porque o caso é simples — "num caso mais sério não haveria nem espaço para escrever por celular", diz ele — e porque Muniz já tinha avisado o cartório antes (e ele resolveu passar o julgamento depois, provavelmente). Mas numa era em que é difícil estar isolado do resto do mundo, e num país com mais de 160 milhões de celulares, a ideia do juiz Muniz faz todo o sentido. [Folha; imagem via Ecos da Notícia]