Em pesquisa realizada pela Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), agência da ONU, o Brasil é considerado o maior gerador de lixo eletrônico per capita, numa comparação entre 11 países. Isso significa meio quilo de lixo eletrônico por pessoa, ou 368,3 mil toneladas de computadores, impressoras, celulares, TVs e refrigeradores jogados fora — na maioria das vezes, sem tratamento adequado. E este número só deve aumentar, devido a preços mais baixos dos eletroeletrônicos e à inclusão digital. O e-waste é perigoso por se decompor muito devagar e conter substâncias químicas tóxicas, que podem contaminar o meio ambiente. O que pode ser feito para tratar o lixo eletrônico no Brasil?

O governo e a iniciativa privada estão agindo para direcionar o e-waste de forma adequada. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, projeto de lei que define o marco regulatório nacional para a reciclagem geral de lixo, foi aprovada na Câmara neste mês, e já foi para o Senado. O projeto dá atenção especial aos resíduos sólidos que podem causar danos às pessoas ou ao meio ambiente, como é o caso do e-waste: fabricantes e revendedores serão obrigados a recolher produtos eletroeletrônicos e seus componentes, pilhas, baterias e outros.

No Estado de São Paulo já vale uma lei, aprovada em julho do ano passado, que obriga fabricantes e vendedores a reciclar, reusar ou neutralizar o lixo eletrônico. Foi do governo a iniciativa de criar o e-lixo.org, um mapa com pontos de coleta de e-lixo; eles também disponibilizam esta lista de locais de coleta de e-waste em SP.

Ainda que de maneira bem menos aparente do que gostaríamos, as empresas também fazem sua parte na coleta de lixo eletrônico. A NokiaSony Ericsson e Motorola coletam celulares usados; a Dell e a Itautec recebem computadores velhos; operadoras de celular coletam baterias usadas; e o Banco Real Santander segue coletando pilhas e baterias usadas. Recentemente, a Philips também começou a realizar coleta de produtos usados: são 40 postos de coleta espalhados no Brasil que recebem eletroeletrônicos e eletrodomésticos da Philips e da Walita. A empresa espera reciclar 200 toneladas ainda este ano, e oferece mais informações no site.

Outras iniciativas incluem ações de universidades — como o centro de coleta de computadores nos campi de São Paulo, São Carlos, Ribeirão Preto e Piracicaba da USP (Universidade de São Paulo) — e entidades que aceitam doações de computadores e periféricos usados (e ainda em condições de uso), como as Casas André Luiz, AACD e várias outras.

O problema do e-waste ainda é preocupante — segundo a ONU, a quantidade de lixo eletrônico cresce 40 milhões de toneladas ano após ano — mas é bom ver que já estão sendo tomadas medidas quanto a isso. Você tem alguma dica para descartar ou doar eletroeletrônicos usados? Poste nos comentários. [Folha e Folha – restrito para assinantes; imagem via PC Magazine]