Você se acha esperto e ignora todo mundo que diz "a Microsoft vai cobrar pelo MSN!", ou "o Orkut vai virar pago!". Aí chega o Orkut Ouro, serviço pago que permite a você bisbilhotar no perfil de todo mundo, mesmo que você não tenha autorização — além de acessar o álbum dos outros usuários Gold e ter Google Maps em tempo real, seja lá o que isso queira dizer. O Orkut virou pago! Um absurdo, se isso não fosse falso.

O Orkut Ouro foi uma piada de Pedro Vanzella, 19, estudante de engenharia da computação. Ele estava à toa e resolveu fazer uma brincadeira hoje de madrugada: já inventaram o falso Facebook Gold, então por que não um Orkut Ouro? Então o Pedro publicou no blog dele as vantagens de uma conta Ouro — basicamente, poder ver o perfil de todo mundo, sem restrições — e o que você precisaria fazer para obtê-la: enviar, entre outros, a senha da sua conta no Orkut para o e-mail dele. (Ele não pediu dados bancários ou coisas do tipo.) Do blog do Pedro, a brincadeira foi para outros blogs, para o Twitter, e fizeram até um site do Orkut Ouro (já fora do ar). Tudo isso ainda hoje!

Resultado: alguns riram da brincadeira, mas outros acharam que era real — mais de cem interessados enviaram e-mail para o Pedro, com dados pessoais e senha. Ele disse que apagou todos esses e-mails, só que aí a brincadeira ficou séria: o Google soube da história e já está tomando providências, agindo "sempre que há violação das nossas marcas ou quando o ato oferece risco para os nossos usuários". E segundo Rony Vainzof, advogado entrevistado pelo G1, o Pedro cometeu dois crimes: violação de marca (a marca Orkut foi usada indevidamente) e falsa identidade (eles não representam o Orkut). Por esses dois crimes, ele poderia ser condenado a até 1 ano de prisão — mas, segundo Vainzof, a sentença provável seriam serviços comunitários.

Há quem ache que o rapaz foi maldoso, cometeu um crime e deve ser punido. Há quem diga que foi apenas uma boa brincadeira, ou quem diga "maldita inclusão digital" — afinal, precisa ser muito ingênuo para entregar a senha dessa forma. Duas coisas, no entanto, ficam claras. Primeiro, informação e desinformação viajam rápido demais na "web 2.0": uma brincadeira em um blog encontrou caminho, via redes sociais e em questão de horas, até às páginas dos principais noticiários online do Brasil. E segundo, tem muita gente que ainda precisa aprender a usar essa tal de internet. [Pedro Vanzella via G1; valeu Nina!]