Depois de ver um dos seis helicópteros da Polícia do Rio de Janeiro ser abatido por traficantes no sábado de manhã, o governo fluminense pediu para que seja agilizada a compra de mais aeronaves blindadas, como o caveirão aéreo, que está na PM há um ano. O Esquilo derrubado próximo ao Morro dos Macacos só tinha blindagem na parte de baixo, e foi atingido no rotor por uma arma de calibre não identificado. Ainda que a proteção pudesse ter salvo a vida de dois policiais, novos helicópteros não são exatamente garantia de operações mais seguras. Só este ano, três CH-47 Chinook, um Mi-24V Hind, um Mi-17 e um Black Hawk UH-60, foram derrubados no Afeganistão por milícias com menos armamento que o Comando Vermelho. Isso é comum em guerras travadas entre exércitos e milícias, como acontece no Sudão, Ruanda, Afeganistão, Iraque e Rio de Janeiro.

Não que os governantes do Rio admitam o estado de guerra. Sérgio Cabral disse que a cidade sede das Olimpíadas de 2016 vai resolver seus problemas, mas confessou estar preocupado com a repercussão internacional, apesar de não precisar de ajuda da Força Nacional. Aparentemente está tudo sobre controle.

O fato é que o helicóptero pilotado pelo Capitão Marcelo Vaz estava numa missão cinematográfica. Sua aeronave, o Fênix 2, dava suporte a um outro helicóptero que resgatava um policial ferido no alto do morro São João. O Fênix 2 levou diversos tiros, atingindo inclusive a tripulação. Um deles provavelmente acertou o rotor, e o helicóptero começou a perder altitude. Marcelo conseguiu fazer um pouso forçado com o helicóptero em chamas em um campo de futebol da Vila Olímpica (que ironia) do Sampaio, depois de passar por rasante sobre ruas movimentadas.

O piloto teve queimaduras na mão e o co-piloto, capitão Marcelo Mendes, levou um tiro no pé, mas escaparam antes de o helicóptero explodir. Os soldados Marcos Standler Macedo e Idiney Canizarro de Oliveira morreram na queda. Os cabos Iso Patrício e Anderson dos Santos sofreram queimaduras graves. O capitão Marcelo, 10 anos na PM e e mil horas de vôo, já é considerado o herói da comunidade. [Terra, G1 e O Dia. Foto Portal Terra, Infográfico O Dia]