Que tal ir a um restaurante, barzinho ou café e pagar a conta com o celular? Com o payWave da Visa, isso já é possível tecnicamente no Brasil. Mas ainda vai demorar um pouquinho pra você poder usar o serviço.

Depois de testar cartões contactless — que são lidos apenas por aproximação do leitor, sem contato físico —, a Visa lançou a próxima fase do projeto-piloto payWave, com pagamentos através do celular. O projeto envolve a Visa, o Banco do Brasil, o Bradesco, a Nokia e a Claro.

Conversamos com Claudemir Alledo, gerente executivo do Banco do Brasil e um dos responsáveis pelo projeto, que nos explicou como funciona agora o pagamento via celular no Brasil. É assim: os clientes selecionados para participar do projeto receberam um celular da Nokia com a tecnologia NFC (Near Field Communication), que permite os pagamentos pelo aparelho. Segundo Alledo, o aparelho ainda nem foi homologado pela Anatel (está com licença temporária aqui no Brasil) e, nesta fase do projeto-piloto, a ativação do NFC ainda não é feita pelo próprio cliente, como é feito no resto do mundo: o celular precisa ser personalizado — ou seja, receber os dados do seu cartão de crédito — antes de chegar às suas mãos. O banco faz a "preparação".

Para pagar, funciona assim: você saca o celular, coloca ele perto do terminal Visa payWave e espera o pagamento ser confirmado. Simples assim! O celular também pode ser configurado para aceitar todas as transações do sistema payWave sem precisar confirmar, ou você pode colocar uma senha rápida no celular pra autorizar a transação.

Peraí, mas isso não é muito seguro! E se me roubarem o celular? E se alguma empresa deixar o leitor NFC ligado e sair cobrando coisas no meu celular? Alledo explica que o limite de pagamentos por dia é baixo: o valor depende do cliente e do banco, mas a ideia é que o celular seja usado para transações de valor pequeno — compras em cafés, bares e restaurantes, por exemplo. Então se você tiver seu celular roubado, o estrago é pequeno. E, como você precisa deixar o celular bem perto do leitor de NFC, não dá para empresas usarem seu celular-cartão a torto e a direito.

Por enquanto o projeto é pequeno: são apenas 70 beta testers (funcionários do BB e do Bradesco) nas cidades de São Paulo, Barueri e Brasília. E, segundo a Visa, por enquanto são 30 estabelecimentos no Brasil que aceitam o pagamento via celular. A maioria são restaurantes, bares e cafés, e dentre eles há vários Starbucks, que participaram da primeira fase do projeto e já usam caixas que aceitam cartões contactless — afinal, o leitor de cartões contactless e NFC é o mesmo.

Mas e no futuro? Você mesmo irá configurar o aparelho para realizar pagamentos. Segundo Alledo, em outros lugares do mundo o cliente liga pro banco através do celular, se autentica, pede a ativação do NFC e recebe os dados do cartão e as configurações direto pelo celular. Ainda é difícil saber, mas é provável que o pagamento por celular seja um serviço adicional, tarifado pelo banco. Como o projeto ainda está em fases iniciais, e como ainda não há celulares com NFC no Brasil, é difícil saber até mesmo quando o pagamento via celular chegará às massas.

Mesmo com todas as dúvidas, o projeto me deixa entusiasmado por dois motivos: primeiro, porque estão conseguindo (ou ao menos tentando) fazer no Brasil algo que nos EUA não rolou: conciliar os interesses dos envolvidos num serviço de pagamento via celular — operadoras de cartão, estabelecimentos comerciais, bancos, fabricantes de celular e operadoras móveis. E segundo, porque o serviço é extremamente prático e simplesmente funciona — como sabem os que moram no Japão ou na Malásia. Só que as empresas de celular e a Anatel precisam andar logo e tornar populares os celulares com NFC aqui no Brasil — eu quero isso agora! [Visa; imagem via Flickr]