Faltam poucos dias para o evento da Apple que – tudo leva a crer – apresentará ao mundo o seu tablet, espécie de iPhone gigante ou netbook sem teclado. Semanas antes, durante a CES 2010, várias empresas anunciaram planos ou protótipos de gadgets semelhantes, e consultorias como a Deloitte projetam que "dezenas de milhões" de tablets/slates serão vendidos este ano. Tão comum quanto pessoas propagandeando a tendência e o sucesso do tablet são os céticos que não vêem utilidade num aparelho assim. De que lado você está?

Eu respondo! Eu respondo!



Então, Pedro. Eu era cético, mas a cada novo rumor vejo um novo uso para um tablet. De navegar na Internet ou ver um filme na cama a controlar a casa (ou os eletrodomésticos) com um controle remoto com mais funções. Você pode argumentar que já são coisas que eu faço com o meu smartphone touchscreen, mas o tamanho da tela grande faria a diferença. Ou você poderia dizer que um netbook, com seus 10,1”’, serve pra tudo isso. Sim, mas o teclado e o peso de mais de 1 kg (à exceção do Vaio X) torna ele menos portátil do que deveria. Mas eu vou me concentrar em apenas uma utilidade, que pra mim é matadora:   

Ler.

Por mais que eu goste do tamanho da tela do meu Milestone, ela é pequena para ler textos longos a uma distância confortável. Eu tenho o (péssimo?) hábito de ler enquanto almoço sozinho, e normalmente abro um RSS Reader e apoio o celular no negócio de guardanapos. Forço a vista, tenho de rolar constantemente. Um tablet mudaria isso – mas isso é importante para mais alguém? Pra mim ler é algo realmente importante. Mas deixei de assinar jornais físicos por causa do espaço que eles ocupam, já que eles viram pilhas na minha casa. Um bom tablet, colorido, ajudaria a salvar jornais e revistas – como o Kindle está ajudando a indústria dos livros. Em um tablet, eu pagaria feliz a assinatura da Wired ou a Economist para ler integralmente, com gráficos e tudo. Ou livros! Voltaria a lê-los com mais frequência.

E sobre o Kindle, eu não entrei na onda dele basicamente porque o e-reader da Amazon é monotarefa demais para mim. Até topo algo que só sirva para ler, desde que eu possa ler mais do que livros. É o que me parece ser o caso de um tablet. Poderia ler várias coisas, de mil formas, além de tantas outras utilidades. Em casa, ele ficaria paradinho num dock bacana como um media center (pense no Orby, da Telefônica, mas a um preço teoricamente mais viável) ou um porta-retratos digital.

Eu penso que o tablet/slate é um gadget, digamos, redundante, mas atraente. Isso, se vier por um preço bom. Nos EUA, ele provavelmente será vendido subsidiado por alguma operadora de telefonia, como Verizon ou AT&T.  E o preço será determinante para o sucesso – os US$ 1.000 que estão sendo cogitados me parecem dinheiro demais até para produtos Apple. Mas é muito cedo para fazer qualquer especulação sobre isso.  

Independente do uso e do preço, os tais early adopters e fãs da maçã comprarão o Apple Tablet. Mas, e a longo prazo, o formato dará certo? As outras fabricantes terão opções tão atraentes? O que vocês acham?